Transplante dos ovários é seguro e eficaz nas mulheres com cancro

Estudo publicado na revista “Human Reproduction”

09 outubro 2015
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As mulheres jovens diagnosticadas com cancro do ovário têm boas probabilidades de ficarem grávidas, graças a um transplante seguro dos ovários, defende um estudo de revisão publicado na revista “Human Reproduction”.
 
Os investigadores do laboratório de Biologia Reprodutiva, na Dinamarca, demonstraram que os transplantes do tecido do ovário removido, armazenado e transplantado de novo na mesma mulher podem durar dez ou mais anos em algumas pacientes e permitir que estas engravidem. Este procedimento parece também estar associado a um pequeno risco da recidiva da doença.
 
O tratamento do cancro é habitualmente a razão pela qual o tecido do ovário é removido antes do tratamento, na esperança de este ser transplantado mais tarde, de forma a preservar a fertilidade. Contudo, tem havido alguma preocupação associada ao facto de o tecido transplantado conter células cancerígenas que poderão conduzir à recidiva da doença.
 
Para o estudo, os investigadores acompanharam, ao longo de mais de dez anos, 41 mulheres que receberam um total de 53 transplantes de tecido de ovário congelado entre 2013 e 2014. Os cientistas avaliaram a função dos ovários, a fertilidade, bem como a segurança do procedimento.
 
A média de idades das mulheres quando o tecido do ovário foi congelado foi de 29,8 anos e 33 anos quando o primeiro transplante foi realizado. Das 41 mulheres, 32 queriam engravidar. Dez das mulheres conseguiram engravidar e ter pelo menos um filho (no total nasceram 14 crianças). Oito crianças foram concebidas naturalmente após o transplante e seis através da ajuda da fertilização in vitro. Ocorreram dois abortos por razões que não estavam relacionadas com o cancro do ovário e um na 19ª semana de gestação.
 
De acordo com os investigadores, três transplantes foram realizados há mais de dez anos, seis há mais de oito e 15 há mais de cinco anos. As restantes pacientes receberam os transplantes entre seis meses e cinco anos atrás. Duas mulheres ficaram grávidas cinco anos após o transplante, o que sugere que o tecido mantem a fertilidade mesmo após longos períodos de tempo.
 
O estudo apurou que três das 41 mulheres submetidas ao transplante tiveram recidiva. Contudo, na opinião dos investigadores, nenhum destes casos parece estar relacionado com o transplante e nenhum dos cancros se desenvolveu no tecido transplantado. 
 
“Estes resultados mostram que o tecido do ovário transplantado é eficaz no restabelecimento da função do ovário de uma forma segura. Nesta população de mulheres, a taxa de gravidez foi cerca de 30%. O fato de as sobreviventes ao cancro serem agora capazes de ter um filho representa um grande aumento na qualidade de vida”, referiu, em comunicado, uma das autoras do estudo, Annette Jensen.
 
Os autores do estudo referem que, para além das mulheres engravidarem, o restabelecimento da função do ovário é também importante para restaurar os níveis das hormonas sexuais em circulação, que ajudam, nomeadamente, a prevenir os sintomas da menopausa.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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