Transplante de córnea: nanopartículas podem fazer a diferença

Estudo norte-americano

12 março 2015
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Uma equipa de investigadores poderá ter descoberto uma forma de evitar a rejeição de transplantes da córnea através de nanopartículas biodegradáveis que libertam fármaco no olho após a cirurgia.
 
Desenvolvido por uma equipa da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, o novo estudo pode também resolver o problema da adesão à medicação após o procedimento e ajudar ao sucesso do transplante da córnea, uma vez que cerca de 10% dos casos resultam em rejeição devido, em grande parte, à fraca adesão à medicação por parte do paciente. 
 
Walter Stark, diretor da Divisão da Córnea, Cataratas e Doenças Externas do Olho, explica que fazer com que os pacientes adiram ao tratamento medicamentoso é um desafio, uma vez que “cerca de 60 a 80 por cento dos pacientes não toma a medicação da forma que seria suposto tomar”.  
 
Para o estudo, a equipa conduziu um ensaio em ratazanas de forma a identificarem formas de facilitar a adesão ao regime de tratamento pós-cirúrgico com medicação, o qual pode ser difícil seguir já que pode exigir frequentes tomas de medicação.
 
As ratazanas foram submetidas a cirurgia de implante da córnea e divididas em quatro grupos. Um grupo foi injetado semanalmente, ao longo de nove semanas, com uma nanopartícula biodegradável e segura com corticosteroides e com libertação lenta do fármaco.
 
Os restantes três grupos receberam, após a cirurgia, injeções semanais com uma solução salina, nanopartículas com um placebo, ou uma solução aquosa de fosfato dissódico de dexametasona, respetivamente. 
 
Os tratamentos foram ministrados até o implante ter sido clinicamente considerado como tendo falhado ou até ao final do período de nove semanas. Para decidir o sucesso ou não do transplante, a equipa avaliou a transparência da córnea, inchaço e crescimento de novos vasos sanguíneos indesejados.
 
Duas semanas após a cirurgia, os roedores que tinham recibo a solução salina e a nanopartícula com placebo apresentavam córneas opacas, inchaço severo e crescimento indesejado de vasos sanguíneos, ou seja, insucesso no transplante. 
 
Quatro semanas mais tarde, o grupo que tinha recebido a solução aquosa de fosfato dissódico de dexametasona apresentava insucesso no tratamento. 
 
Uma semana após a cirurgia, 65% das ratazanas que receberam o tratamento de nanopartículas com corticosteroides continuavam a ser tratadas. A concentração de medicação manteve-se igualmente mais forte, a córnea apresentava um aspeto límpido, não havia sinais de inchaços e os casos de crescimento de vasos sanguíneos indesejados eram muito reduzidos. Os transplantes neste grupo de roedores foram todos considerados viáveis.
 
“Isto representa uma eficácia de 100%, uma descoberta muito promissora”, comentou Justin Hanes, diretor do Centro de Nanomedicina do Instituto Oftalmológico Wilmer na Universidade Johns Hopkins. “Este tipo de tratamento poderá também ajudar a prevenir a rejeição nos transplantes de córneas em humanos, tornando, paralelamente, a adesão à medicação muito mais fácil para os pacientes e famílias”, conclui.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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