Transplante da córnea: género pode influenciar resultado

Estudo divulgado no “American Journal of Transplantation”

01 agosto 2016
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Ligeiras diferenças entre homens e mulheres poderão estar na origem de piores resultados no transplante da córnea de homens para mulheres, dá conta uma investigação publicada na revista científica “American Journal of Transplantation”.
 

Um estudo levado a cabo por cientistas da Universidade de Liverpool, do Hospital Universitário Real de Liverpool e da unidade Sangue e Transplantes do NHS (serviço nacional de saúde britânico), no Reino Unido, investigou se a incompatibilidade de género entre dador e recetor tinha alguma influência na taxa de sucesso ou rejeição do transplante da córnea cinco anos após a intervenção.
 

Esta investigação avaliou 18 mil pacientes do Reino Unido submetidos ao primeiro transplante da córnea. Mais de 80% destes pacientes apresentavam um enxerto funcional ao fim de cinco anos. Contudo, uma maior quantidade de transplantes de córnea de indivíduos masculinos para femininos falhou ou foi rejeitada durante este período de tempo, comparativamente com transplantes realizados entre indivíduos do mesmo género.
 

Por cada mil transplantes de córnea com compatibilidade de género, em média, 180 falharão, em comparação com 220, no caso de transplantes de homens para mulheres.
 

De acordo com o comunicado da universidade britânica, o efeito da compatibilidade entre géneros foi mais marcado em pacientes com distrofia endotelial de Fuchs, uma condição que afeta a fina camada de células (denominadas células endoteliais) que revestem a parte posterior da córnea.
 

Dos 4.046 pacientes com distrofia de Fuchs, 18% dos enxertos de homens para mulheres falharam, em comparação com 12% dos transplantes entre indivíduos do género feminino. Depois de ajustados os riscos, os transplantes entre mulheres apresentaram uma probabilidade 40% menor de falhar e 30% menor de a córnea ser rejeitada, em comparação com transplantes de homens para mulheres.
 

Na opinião do líder do estudo, Stephen Kaye, tal poderá ficar a dever-se a uma incompatibilidade entre o antigénio H-Y associado ao cromossoma masculino Y. “As mulheres não têm um cromossoma Y, por isso não existe incompatibilidade H-Y de dadoras femininas para recetores masculinos”, adianta o cientista.
 

Os cientistas alertam para a necessidade de estudos mais aprofundados para confirmar estes achados e para permitir compreender melhor as razões subjacentes à importância da compatibilidade entre géneros no transplante da córnea.
 

Caso os achados deste estudo venham a ser confirmados, Kaye considera que poderá ser relativamente simples colocar em prática um sistema em que a córnea de dadores masculinos apenas possa ser utilizada em recetores do mesmo género, e em que a córnea doada por indivíduos femininos possa ser recebida tanto por indivíduos femininos como masculinos. Tudo isto sem custos adicionais significativos e com ganhos substanciais ao nível dos cuidados.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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