Transplantada primeira traqueia artificial com sucesso
29 julho 2011
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O primeiro paciente submetido a um transplante de traqueia produzida artificialmente, com recurso à nanotecnologia e à medicina regenerativa, por uma equipa de cientistas da University College London (UCL), no Reino Unido, e uma equipa médica do Karolinska Medical Hospital, em Estocolmo, na Suécia, já teve alta e apresentou melhorias significativas.

 

O paciente submetido a transplante é um estudante africano de 36 anos, residente na Islândia, com um cancro na traqueia, cujo tumor resistente à quimioterapia atingia já os seis centímetros de comprimento e encontrava-se em fase de alastramento para os brônquios.

 

Alexander Seifalian, investigador da Divisão de Cirurgia e Ciência Interventiva da UCL que liderou o desenvolvimento da estrutura da traqueia, explica que “o que torna este procedimento diferente é o facto de ser a primeira vez que foi feita uma traqueia sintética completa com recurso a engenharia de tecidos e transplantada com sucesso, tornando-a num importante avanço para a medicina regenerativa”.

 

Os cientistas da University College London projectaram e desenvolveram uma estrutura produzida com novos polímeros de nanocompósitos, por eles desenvolvidos e patenteados, a qual foi posteriormente coberta com células estaminais do próprio paciente, o que reduz o risco de rejeição do transplante e evita a necessidade de recurso a medicamentos imunossupressores por parte do paciente. Os investigadores produziram assim uma traqueia completa em forma de Y, para a qual recorreram a imagens de tomografia computorizada do próprio paciente, de forma a obter uma traqueia com a forma e dimensões exactamente iguais à traqueia ‘doente’ do paciente.

 

“A utilização de polímeros não é uma novidade na medicina, já que são utilizados desde há algum tempo em dispositivos médicos, no entanto, estes novos polímeros, reduzem o risco de rejeição, ruptura ou necessidade de repetir a cirurgia, e apresentam melhor elasticidade, resistência e versatilidade, porque foram formulados para encorajar o crescimento das células.”, explicam os cientistas.

 

Alexander Seifalian afirma ainda que, “esperamos que existam muitas mais aplicações emocionantes para os novos polímeros que desenvolvemos”.

 

Médicos e cientistas acreditam que estes inovadores polímeros e técnicas associadas poderão acarretar benefícios substanciais para os pacientes que sofrem de cancro da traqueia ou de outras condições que destroem, bloqueiam ou constrangem as vias aéreas. Isto porque os pacientes não terão de aguardar mais por um dador compatível e poderão beneficiar de um transplante precoce, o que pode aumentar consideravelmente a possibilidade de cura.

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