Transmissão de doenças maternas pode ser impedida

Estudo publicado na “Nature”

29 outubro 2012
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Investigadores americanos desenvolveram uma nova terapia genética capaz de impedir a transmissão de doenças por via materna, dá conta um estudo publicado na “Nature”.
 

Os investigadores da Oregon National Primate Research Center e da OHSU Department of Obstetrics & Gynecology, nso EUA, desenvolveram esta terapia especificamente para impedir o desenvolvimento de doenças associadas com mutações nos genes expressos nas mitocôndrias.
 

As mitocôndrias são os reservatórios de energia das células, as quais estão presentes nomeadamente nos ovócitos. O líder do estudo, Shoukhrat Mitalipov, explicou também que estas estruturas celulares contêm material genético específico que é herdado de mãe para filho. A presença de determinadas mutações no ADN mitocondrial pode conduzir ao nascimento de crianças com várias doenças como a diabetes, surdez, doenças oftalmológicas, gastrointestinais, cardíacas, demência e outro tipo e doenças neurológicas.
 

Para tentar ultrapassar este tipo de transmissão de doenças os investigadores pensaram em substituir o ADN mitocondrial mutado, que se encontra no citoplasma do ovócito, e substituí-lo por um saudável. Após terem obtido 106 ovócitos humanos retiraram o ADN do núcleo destas células e colocaram-no noutras sem ADN nuclear e com ADN mitocondrial sem mutações. Os ovócitos foram fertilizados para verificar se a transferência tinha tido sucesso e se as células se desenvolviam normalmente.
 

Os investigadores verificaram que através deste método é possível substituir, com sucesso, o ADN mitocondrial mutado. “Como deixamos que as células se desenvolvessem até ao estádio de células estaminais embrionárias, este estudo mostra que este método pode ser uma alternativa viável para a prevenção de certas doenças devastadoras que são herdadas de mãe para filhos”, disse o investigador.
 

Os autores do estudo chamaram à atenção para o facto da viabilidade dos ovócitos ser curta após a sua colheita. Assim, para que esta terapia seja viável no ambiente clínico é necessário que tanto a célula dadora como a célula mãe sejam congeladas para que a viabilidade seja mantida. Mas o congelamento dos ovócitos não parece ser um entrave para a utilização deste método. A prova disto foi um nascimento de uma bebé macaca  saudável com o nome de Chrysta, a qual foi o resultado da utilização deste método a partir de ovócitos congelados.
 

Apesar de este tipo de terapia ainda não estar aprovada nos EUA e Reino Unido, poderá ser seriamente considerada para o tratamento de pacientes com risco de transmissão de doenças mitocondriais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A. 

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