Transgénicos sob avaliação rigorosa

Peritos ingleses querem mais rigor nos alimentos geneticamente modificados

05 fevereiro 2002
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Um grupo de cientistas britânicos recomendou que o Reino Unido e a União Europeia apliquem normas mais rigorosas no controlo e segurança de alimentos geneticamente modificados (GM) destinados ao consumo por seres humanos.
 

 

Num relatório publicado pela Royal Society, os cientistas destacam que a legislação deve dar especial atenção ao risco potencial de estes alimentos poderem causar alergias, alertando também para a qualidade nutricional dos produtos para bebés.
 

 

"Não há razões para duvidar da segurança dos alimentos elaborados com os produtos geneticamente modificados que se comercializam actualmente", assinala contudo o relatório.
 

 

Ainda assim, o texto recomenda "um método mais explícito e objectivo" para comparar os produtos geneticamente modificados com os tradicionais e que seja comum aos países da União Europeia (UE).
 

 

Actualmente, para determinar se um produto é seguro utiliza- se um método denominado "equivalência substancial", em que se compara um produto manipulado geneticamente com outro produzido pelos mecanismos tradicionais.
 

 

"Examinámos toda a investigação disponível e não encontrámos nada que sugira que o processo de manipulação genética converte os alimentos em intrinsecamente perigosos", explicou Jim Smith, que dirigiu o grupo de cientistas.
 

 

Smith manifestou o seu "apoio total ao direito do público de saber que todos os novos alimentos, quer contenham ingredientes geneticamente modificados ou não, foram submetidos a rigorosos testes de segurança e nutrição".
 

 

No entanto, o relatório adverte para o potencial risco de reacções alérgicas a estes novos alimentos bem como para um possível impacto negativo no seu nível nutricional, advertindo que os bebés são especialmente vulneráveis a alterações no conteúdo nutritivo da sua alimentação.
 

 

Testes rigorosos
 

 

É por essa razão que o documento insiste na necessidade de o Reino Unido e a UE realizarem testes rigorosos para assegurarem que os produtos GM não apresentam qualquer perigo.
 

 

Smith opinou, contudo, que a lei não deve ser tão restritiva ao ponto de eliminar incentivos para a produção destes novos alimentos, "potencialmente benéficos para a sociedade".
 

 

A área cultivada com plantas geneticamente modificadas aumentou 20 por cento em 2001, uma tendência que se manterá em 2002, apesar da resistência dos consumidores de algumas zonas do globo, como a Europa.
 

 

Os agricultores plantaram cerca de 52 milhões de hectares de plantas geneticamente modificadas (em 2001, mais 8 milhões que no ano anterior, de acordo com um relatório divulgado em Janeiro pelo International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications (ISAAA).
 

 

Para 2002, o relatório do ISAAA prevê um crescimento de 10 por cento na superfície cultivada com plantas geneticamente modificadas.
 

 

Os EUA são claramente o país que lidera o processo (35 milhões de hectares de plantações GM em 2001) mas existem mais doze onde já se cultivam transgénicos: Argentina (11,7 milhões), Canadá (3,2 milhões), China, Bulgária, Austrália, África do Sul, Roménia, França, Espanha, Uruguai, México e Ucrânia.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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