Traição emocional versus traição sexual

Casais têm mais ciúmes de envolvimento mais profundo

14 janeiro 2003
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O ciúme é uma emoção extremamente poderosa e pode trazer graves consequências. Tanto os homens quanto as mulheres tendem a ficar mais incomodados quando os parceiros se apaixonam por uma outra pessoa -- isto é, uma infidelidade emocional -- que no caso de infidelidade sexual. Isso acontece apesar de a teoria indicar que os géneros diferem em relação às reacções de ciúme, informou uma psicóloga.
 

 

«Homens e mulheres preocupam-se mais com os aspectos emocionais que com os sexuais da infidelidade», disse
 

Christine R. Harris, autora do estudo. «Isso contraria a noção de que os homens têm inclinação natural a preocuparem-se com a infidelidade sexual, e as mulheres, com a emocional. O trabalho sugere que os géneros são mais semelhantes que diferentes», afirmou Harris, que é investigadora do Centro para Estudo de Cérebro e Cognição da Universidade da Califórnia, em San Diego.
 

 

Estudos anteriores de psicologia evolutiva desenvolveram a teoria de que a selecção natural teria estimulado os géneros a desenvolver reacções emocionais diferentes para o ciúme.
 

 

Sob essa visão, o homem apresentaria a tendência de sentir mais ciúme de uma infidelidade sexual da mulher porque isso poderia levá-lo a assumir a paternidade de um filho que não é dele. Já a mulher teria uma propensão maior a ser mais ciumenta quando o parceiro tivesse uma ligação emocional com outra mulher, por temer que ele pudesse interromper a provisão de recursos aos próprios descendentes.
 

 

Harris observou que a maioria desses trabalhos teve como base estudos que encontraram essas diferenças apenas quando pediram a estudantes universitários que respondessem a questões hipotéticas sobre qual cenário lhes causaria mais incómodo.
 

 

Neste estudo, a cientista recrutou cerca de 200 adultos homossexuais e heterossexuais e perguntou-lhes como responderiam à infidelidade, em teoria, e como o fizeram em situação real de traição em romances anteriores.
 

 

Harris verificou que, quando perguntou sobre as experiências reais de infidelidade, tanto os homens quanto as mulheres enfocaram mais o aspecto emocional que o sexual. «Quando se trata de ciúmes, homens e mulheres preocupam-se com as duas formas de infidelidade», disse a investigadora. «Ambos se preocupam com a possibilidade de o parceiro fazer sexo e também com a de se apaixonar por outra pessoa.»
 

 

Segundo a especialista, os resultados levantam dúvidas sobre as afirmações feitas pela psicologia evolutiva em relação à importância que a infidelidade representa para homens e mulheres. «O trabalho questiona se o ambiente dos nossos ancestrais foi realmente como os psicólogos evolutivos imaginam», aponta a investigadora. «Talvez a traição ou a perda de recursos não sejam riscos importantes.»
 

 

A partir desse estudo, outra dúvida que surge é se há uma reacção específica de cada um dos géneros ao ciúme ou se todos os humanos reagem de um modo mais generalizado. «O trabalho sugere que pode ter existido um mecanismo mais geral de ciúme. Talvez essa especificidade não seja necessária», observou a especialista.
 

 

Os resultados também demonstraram que a maioria dos casais «terminam» a relação devido à infidelidade e que as mulheres são duas vezes mais propensas a terminar o relacionamento no caso de uma traição do parceiro.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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