Trabalho por turnos: identificada causa genética da fadiga

Estudo publicado na revista “Sleep”

09 novembro 2016
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Investigadores finlandeses descobriram que um gene que codifica o recetor da melatonina influencia a tolerância ao trabalho por turnos, dá conta um estudo publicado na revista “Sleep”.
 

Ao cobrir o genoma inteiro, os investigadores da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, descobriram uma variação comum no gene que codifica o recetor 1 A da melatonina (MTNR1A, sigla em inglês) que está associado à sensação de exaustão reportada pelos indivíduos que trabalham por turnos.
 

O trabalho por turnos afeta frequentemente o ritmo circadiano, o que pode conduzir a distúrbios de sono e fadiga.
 

O estudo, liderado por Tiina Paunio, contou com a participação de finlandeses que trabalham por turnos em diferentes áreas. As diferenças na exaustão associada ao emprego e reportada pelos participantes foi contrastada com diferenças genéticas no genoma inteiro.
 

A associação ao gene que codifica para o recetor da melatonina foi descoberta num grupo de 179 indivíduos incluídos no inquérito nacional de saúde de 2000. Esta associação também foi encontrada num outro grupo de 577 indivíduos incluídos no mesmo inquérito, assim como em pessoas que trabalhavam por turnos na prestação de cuidados e na aviação.
 

O estudo também estabeleceu que o risco de variação do MTNR1A está provavelmente associado à metilação do ADN na sequência reguladora do gene, assim como numa expressão mais fraca do gene do MTNR1A. A metilação do ADN é um dos mecanismos epigenéticos que regulam o funcionamento do genoma, que é influenciado não só por variações na sequência do ADN, mas também por fatores ambientais, como flutuações no ritmo circadiano.
 

Assim, na presença de um pequeno número de recetores de melatonina, a variante de risco do gene pode causar uma sinalização da melatonina mais fraca, um dos mecanismos reguladores na estabilização do ritmo circadiano.
 

Os cientistas concluem que a influência da variante de risco do gene MTNR1A pode explicar o grau em que a exposição à luz durante a noite perturba o ritmo circadiano dos trabalhadores por turnos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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