Trabalho por turnos altera função cerebral

Estudo publicado na revista “Occupational & Environmental Medicine”

06 novembro 2014
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O trabalho por turnos, como o jet lag crónico, conhecido por afetar o ritmo circadiano tem sido associado a vários problemas de saúde, como úlceras, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e alguns cancros. Um estudo agora publicado no “Occupational & Environmental Medicine” refere que este tipo de trabalho pode também estar associado a alterações da função cerebral.
 

De forma a chegar a estas conclusões, os investigadores avaliaram as capacidades cognitivas de mais de três mil indivíduos que trabalhavam em vários setores ou que já eram reformados, em três momentos distintos: 1996; 2001 e 2006. Cerca de metade dos participantes, oriundos do sudoeste de França, trabalhou por turnos pelo menos 50 dias por ano.
 

Os participantes tinham exatamente 32, 42, 52 e 62 anos de idade, na altura em que foram realizados os primeiros testes, que tinham por objetivo avaliar a memória de curto e longo prazo, a rapidez de processamento e as capacidades cognitivas gerais. Um total de 1.197 indivíduos foi avaliado nos três momentos distintos. Cerca de 18,5% dos trabalhadores e 17,9% daqueles que já se tinham reformado disseram trabalhar ou ter trabalhado por turnos que alternavam entre manhãs, tardes e noites.
 

O estudo apurou que os participantes que trabalhavam atualmente, ou que já tinham trabalhado por turnos, apresentavam resultados inferiores nos testes memória, rapidez de processamento e capacidades cognitivas gerais, comparativamente com aqueles que apenas trabalhavam nos horários normais.
 

Os participantes que tinham trabalhado num padrão de horas rotativo ao longo de 10 ou mais anos obtiveram resultados mais baixos nos testes de avaliação da função cognitiva e memória, comparativamente com aqueles que nunca tinham trabalho segundo estes padrões. Estes resultados eram equivalentes a um declínio da função cognitiva de 6,5 anos.
 

Os investigadores analisaram ainda se as capacidades cognitivas eram recuperadas após os participantes deixarem de trabalhar por turnos. Verificou-se que tal era possível, mas apenas pelo menos cinco anos após terem deixado de trabalhar por turnos.
 

Apesar de este ser um estudo observacional e, como tal, não se poder tirar conclusões definitivas sobre a relação de causa e efeito, os investigadores sugerem que a alteração do ritmo circadiano resultante do trabalho por turnos pode gerar agentes fisiológicos stressantes que podem, por sua vez, afetar o funcionamento cerebral.
 

Estes resultados podem ter “consequências de segurança importantes não apenas para as pessoas afetadas, mas também para a sociedade em geral, dado o aumento do número de postos de trabalho em situações de elevado risco que se realizam à noite”, concluíram os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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