Trabalho noturno aumenta risco de cancro da mama

Estudo publicado na revista “International Journal of Cancer”

25 junho 2012
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As mulheres que trabalham durante a noite apresentam um maior risco de desenvolver cancro da mama, refere um estudo publicado no “International Journal of Cancer”.

 

O cancro da mama é a principal causa da mortalidade feminina, afetando, por ano, 1 em 1.000 mulheres nos países desenvolvidos. Todos os anos, são diagnosticados mais de 1,3 milhões de novos casos.

 

Os fatores de risco do cancro da mama são vários, incluíndo mutações genéticas, primeira gravidez tardia, baixa paridade ou terapia hormonal. Contudo, existem ainda outros fatores como o estilo de vida, causas ambientais ou profissionais que ainda não foram completamente identificados.

 

Em 2010, o International Agency for Research on Cancer (IARC) considerou que a interferência no ritmo circadiano poderia ser carcinogénica. O ritmo circadiano, que regula os estados de vigília e sono, controla várias funções biológicas, sendo que este está alterado nas pessoas que trabalham durante a noite ou por turnos. Têm sido levantadas várias hipóteses para explicar a relação entre o trabalho noturno e o cancro da mama, nomeadamente, exposição à luz durante a noite, que elimina a produção da melatonina durante a noite e os seus efeitos anticancerígenos, mau funcionamento dos genes envolvidos no relógio biológico que controlam a proliferação celular, ou distúrbios de sono que podem “acordar” o sistema imunitário.

 

Assim, neste estudo os investigadores do Inserm unit 1018, em França, decidiram analisaro efeito do trabalho noturno na saúde de 3.000 mulheres, entre 2005 e 2008. As carreiras profissionais das participantes foram analisadas, incluindo os períodos de trabalho noturno. No total, mais de 11% das mulheres tinha trabalho durante a noite, em algum momento das suas carreiras.

 

O estudo apurou que, em comparação com as mulheres que nunca tinham trabalhado durante a noite, aquelas que o tinham feito apresentavam um risco 30% maior de desenvolver cancro da mama. Este risco foi particularmente acentuado nas mulheres que tinham trabalhado durante mais de quatro anos durante a noite ou nas mulheres que tinham trabalhado três noites por semana, pois conduzia a distúrbios entre os ritmos noturnos e diurnos mais frequentes.

 

Os investigadores também constataram que o efeito do trabalho noturno no desenvolvimento do cancro da mama era mais evidente nas mulheres que tinham trabalhado na noite anterior a darem à luz pela primeira vez. Este resultado pode ser explicado pelo facto das células mamárias, que não estão completamente diferenciadas antes da primeira gravidez, serem mais vulneráveis.

 

"O nosso estudo corrobora os resultados obtidos em estudos anteriores, realçando o impacto do trabalho noturno na saúde da mulher, sendo que este facto deve ser levado em consideração na gestão da saúde pública, dado que o número de mulheres que trabalham em horários atípicos está a aumentar", revelou, em comunicado de imprensa, o principal autor do estudo, Pascal Guénel.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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