Trabalhar horas em excesso associado a risco de acidente vascular cerebral

Estudo publicado na revista “The Lancet”

24 agosto 2015
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Trabalhar 55 horas ou mais por semana está associado a um risco 33% maior de acidente vascular cerebral, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 
Para o estudo, os investigadores da Universidade College London, no Reino Unido, fizeram uma análise sistemática de 25 estudos que envolveram 603.838 homens e mulheres oriundos da Europa, EUA e Austrália que foram acompanhados ao longo de uma média de 8,5 anos.
 
Os investigadores, após terem em conta fatores de risco como idade, sexo e estatuto socioeconómico, constataram que, comparativamente com os indivíduos que trabalhavam entre 35 a 40 horas semanais, aqueles que trabalhavam 55 horas ou mais por semana tinham um risco 13% maior de doença cardíaca coronária.
 
A análise de dados de 17 estudos que envolveram 528.908 indivíduos que foram acompanhados ao longo de uma média de 7,2 anos apurou que os indivíduos que trabalhavam 55 horas ou mais por semana tinham, comparativamente com aqueles que trabalhavam durante um horário habitual, um risco 1,3 maior de AVC. Esta associação permaneceu constante mesmo após os investigadores terem tido em conta determinados comportamentos, como consumo de álcool e tabaco e atividade física, bem como fatores de risco cardiovascular, incluindo pressão arterial e colesterol elevados.
 
Os investigadores descobriram que quanto mais tempo as pessoas trabalhavam maior era o risco de AVC. Comparativamente com os indivíduos que trabalham as horas semanais habituais, aqueles que trabalhavam entre 41 a 48 horas tinham um risco 10% maior de AVC e aqueles que trabalhavam entre 49 a 54 horas apresentavam um risco 27% maior.
 
Embora os mecanismos causais destas associações necessitem de ser compreendidos melhor, os autores sugerem que o aumento de comportamentos de risco, como inatividade física, consumo elevado de álcool, bem como a ativação repetitiva da resposta ao stress, pode aumentar o risco de AVC.
 
“A conjugação de todos os estudos disponíveis sobre este tema permitiu-nos investigar a associação entre horas de trabalho e risco de doença cardiovascular com maior precisão do que tem sido possível anteriormente. Os profissionais de saúde devem estar cientes de que horas excessivas de trabalho estão associadas a um risco significativamente aumentado de AVC e talvez também a doença cardíaca coronária”, revelou, um dos autores do estudo, Mika Kivimäki.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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