Trabalhar com alegria

Funcionários extrovertidos podem ser pouco produtivos

23 julho 2002
  |  Partilhar:

Não é fora do comum que as pessoas mais expansivas, exuberantes e faladoras sejam rotuladas como trabalhadores de menor rendimento. Agora, quem já reparou no colega do lado que passa a vida a tagalerar pode mesmo ter razões para afirmar que, provavelmente, não trabalha assim tanto.
 

 

Um estudo norte-americano sugere que os funcionários mais expansivos também podem ser os mais problemáticos.
 

 

Normalmente, os chamados extrovertidos são considerados tipos activos e autoconfiantes que geralmente levam vantagem no trabalho - principalmente em empregos que exigem alto grau de interacção com os colegas. No entanto, nem todos os estudos sobre personalidade e desempenho no emprego mostram que a extroversão é um indicador de bom rendimento profissional.
 

 

A combinação de muita expansividade com pouca consciência pode ser um prognóstico de funcionários mais contraproducentes, indicaram as conclusões do trabalho elaborado pela Universidade de Nova Orleans, na Louisiana.
 

 

De acordo com o líder da investigação, Alan Witt, os testes de selecção que tentam predizer o desempenho dos candidatos a um emprego, tradicionalmente, são um pouco «básicos». Isto porque, explica o especialista, essas entrevistas destinam-se a avaliar se os funcionários «vão desempenhar a essência do trabalho», mas não verificam se os candidatos podem ser contraproducentes.
 

 

Este estudo destina-se a recolher uma combinação de características de personalidade que possa servir como os melhores indicadores do risco de um candidato a um emprego ser ou não um bom funcionário. Por esse motivo, nesta investigação, Witt avaliou 105 funcionários de uma empresa privada cujo trabalho requeria uma enorme capacidade de planeamento.
 

 

Aos funcionários foi-lhes dado uma série de questionários para preenchimento, os quais mostrariam a extroversão e consciência - propensão a pensar antes de agir ou a obedecer regras e normas do local de trabalho.
 

 

Witt também entrevistou os cargos de chefia sobre o comportamento contraprodutivo dos funcionários - atitudes como quebrar regras, faltar em excesso ao trabalho ou discutir com os colegas, entre outros tópicos.
 

 

Os funcionários foram catalogados em três ordens de comportamento: extrovertidos e conscientes, extrovertidos menos conscientes e introvertidos.
 

 

Os «extrovertidos e conscientes» foram menos propensos a serem classificados como contraproducentes, ao invés, os extrovertidos que eram menos conscientes provocaram mais problemas no trabalho.
 

 

Estes funcionários também foram descritos como «presunçosos», «imprudentes», com maior tendência para a irresponsabilidade e ineficácia. Segundo o autor do estudo, estes indivíduos são também mais propensos a «empurrar para outras pessoas os problemas que surgem no trabalho».
 

 

A característica de ser consciente, no entanto, teve pouca importância para a classificação do desempenho no trabalho dos funcionários que tendem a ser mais reservados, os chamados introvertidos. Segundo Witt, entre estes funcionários, o comportamento contraproducente pode permanecer sem identificação.
 

 

Trabalho monótono adoece e mata
 

 

Um outro estudo recente, também na área de medicina do trabalho, indica que as pessoas que passam a maior parte da vida profissional em empregos com poucas oportunidades de decisão - sobre o que e como fazer - tendem a morrer mais cedo.
 

 

Muitos empregos em que os funcionários têm pouco controle tendem a ser altamente repetitivos. Tudo isto leva a um não envolvimento no trabalho, explicou Benjamin C. Amick III, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, à agência Reuters.
 

 

Além disso, trabalhos passivos, em que as pessoas precisam se esforçar mais para permanecerem despertas, podem ser stressantes, explicou o especialista.
 

 

Os resultados foram baseados em estudos sobre as condições físicas e psicológicas de trabalho de cinco famílias distintas. Entre 1968 e 1991, a equipa acompanhou os voluntários, determinando a quantidade de tempo gasto em tipos diferentes de trabalhos.
 

 

Nas conclusões do estudo, os investigadores destacaram que as pessoas que gastavam mais tempo da vida profissional em empregos em que tomaram menos decisões estavam 43 por cento menos propensas a morrer, do que o grupo que teve tarefas com muitas oportunidades de decisão. O risco manteve-se por dez anos após a saída do emprego.
 

 

E quem passou a vida profissional em empregos passivos, descritos como os que apresentam poucas decisões e pouco controlo sobre as tarefas, também estava 35 por cento mais propenso a morrer dez anos após ter saído do emprego, comparado com quem teve trabalhos mais activos.
 

 

Ao invés, o grupo cuja vida profissional esteve ligada a empregos onde havia estímulo psicológico não pareceu mais propenso à morte, em comparação com os restantes elementos observados.
 

 

As pessoas com um ambiente de trabalho mais acolhedor, estabilidade e uma quantidade menor de exigência física não pareceram viver mais que o grupo que não dispunha destas vantagens, de acordo com o estudo.
 

 

Por tudo isto, o autor do estudo alerta todas as pessoas que estão em funções com pouca autonomia para reivindicar junto da chefia e com os sindicatos para ter mais controlo sobre a vida funcional. «Um aumento na sensação de controlo pode ser obtido com o uso de uma variedade maior de habilidades no trabalho, mais oportunidades de decisão sobre as tarefas e maior envolvimento com a equipa.»
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

 

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.