Toxoplasmose aumenta risco de comportamento agressivo?

Estudo publicado no “Journal of Clinical Psychiatry”

30 março 2016
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Os indivíduos com um transtorno psiquiátrico que envolve episódios recorrentes de raiva extrema e impulsiva apresentam um risco duas vezes maior de terem sido expostos a um parasita comum do que indivíduos saudáveis sem este diagnóstico psiquiátrico, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Psychiatry”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Chicago, nos EUA, apurou que a toxoplasmose, uma infeção parasitária relativamente inofensiva, que afeta cerca de 30% de todos os seres humanos, está associada a um transtorno explosivo intermitente e aumento da agressividade.
 
“O nosso estudo sugere que a infeção latente do Toxoplasma gondii pode alterar a química do cérebro de uma forma que aumenta o risco de comportamento agressivo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Emil Coccaro.
 
O transtorno explosivo intermitente caracterizado por explosões recorrentes, impulsivas e problemáticas, que podem envolver agressão verbal ou física e que são desproporcionadas em relação às situações que as provocam. 
 
Com o intuito de melhorar o diagnóstico e tratamento do transtorno explosivo intermitente, os investigadores, liderados por Teodor T. Postolache, decidiram analisar a possível associação entre este distúrbio e a toxoplasmose. Esta infeção transmitida através das fezes de gatos infetados, carne mal cozinhada ou água contaminada permanece habitualmente latente e inofensiva nos adultos saudáveis. Contudo, sabe-se que estes parasitas residem no tecido cerebral e têm sido associados a várias doenças psiquiátricas, incluindo esquizofrenia, doença bipolar e comportamento suicida.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 358 adultos. Cerca de um terço dos participantes tinha transtorno explosivo intermitente, o outro terço incluiu indivíduos saudáveis sem antecedentes psiquiátricos e o último terço englobava pacientes com alguns doenças psiquiátricas que não o transtorno explosivo intermitente. Este último grupo funcionou como controlo para distinguir entre o transtorno explosivo intermitente de outros possíveis fatores psiquiátricos que poderiam afetar a análise.
 
Os investigadores constataram que os indivíduos com transtorno explosivo intermitente tinham um risco mais de duas vezes superior de terem um teste sanguíneo positivo para a toxoplasmose, comparativamente com o grupo de controlo (22% contra 9%).
 
O estudo apurou ainda que cerca de 16% dos indivíduos com doenças mentais apresentavam um teste positivo para a toxoplasmose. Contudo, este grupo tinha resultados similares aos encontrados no grupo de controlo relativamente aos testes de agressividade e impulsividade. Por outro lado, os pacientes com transtorno explosivo intermitente apresentavam resultados bem mais elevados comparativamente com o grupo de controlo. 
 
No geral, os indivíduos com teste da toxoplasmose positivo apresentavam pontuações mais elevadas nos testes de raiva e agressão. Verificou-se que havia uma associação entre a toxoplasmose e aumento da impulsividade, mas quando as pontuações de agressão foram ajustadas, esta ligação tornou-se pouco significativa. Estes resultados sugerem que a toxoplasmose e a agressão estão mais fortemente relacionadas.
 
Os investigadores referem que estes resultados não abordam se a infeção pelo parasita pode causar um aumento da agressividade ou transtorno explosivo intermitente. Na opinião de um dos coautores do estudo, são necessários mais estudos para esclarecer esta associação.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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