Toxicodependência: heroína medicinal pode ser vantajosa

Relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência

23 abril 2012
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Um número crescente de países europeus está a experimentar programas em que viciados em heroína são tratados com uma versão medicinal da droga, uma terapia que já provou ter eficácia, segundo o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT).

 

O relatório, ao qual a agência Lusa teve acesso, analisou os resultados de programas em que viciados em opiáceos, nomeadamente heroína, para quem tratamentos com drogas de substituição tradicionais não funcionaram, podem beneficiar desta nova abordagem.

 

Os especialistas consideram que a administração de heroína medicinal a toxicodependentes "impossíveis de tratar" pode ser um "importante avanço clínico".

 

A terapia com diacetilmorfina, heroína produzida em laboratório para fins medicinais, produz melhorias visíveis para a saúde dos toxicodependentes, integração social e redução de consumo, segundo os peritos.

 

De acordo com o OEDT este tipo de terapia também apresenta vantagens para o resto da sociedade pois contribui para a redução da incidência de crimes cometidos por estas pessoas para arranjar droga na rua, apesar de ser consideravelmente mais caro do que os regimes de tratamento mais tradicionais, com metadona.

 

O presidente do observatório, Wolfgang Götz reconheceu que se trata de uma abordagem "polémica" ao problema da toxicodependência mas afirmou que o tratamento "não consiste simplesmente em oferecer heroína aos toxicodependentes que a consomem".

 

É "um regime de tratamento fortemente regulamentado" dirigido a um grupo "diminuto", com a heroína administrada sob vigilância médica, em clínicas especializadas, para evitar desvios para o mercado ilícito, revelou.

 

O diretor do OEDT afirmou que o objetivo daquela agência europeia sedeada em Lisboa não é "defender esta abordagem, mas sim informar" os decisores e profissionais de saúde, para que tirem "as suas próprias conclusões" sobre esta possibilidade de terapia.
No estudo salienta-se que a terapia "não é uma solução para o problema da heroína" e, a ser adotada numa escala maior, não deverá "pôr em risco a adesão dos outros doentes" às terapias de substituição tradicionais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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