Toxicodependência: casos preocupantes indicam fragilidade social

Declarações do presidente do organismo de combate às dependências

25 maio 2012
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O presidente do organismo de combate às dependências alerta para casos “muito preocupantes” que estão a chegar aos serviços de tratamento e que revelam a fragilidade da tradicional rede social que apoia estas pessoas.

 

“Vamos sentindo uma maior pressão na busca de ajuda por pessoas com problemas ligados ao álcool e ao consumo de substâncias ilícitas”, apesar de a procura ter sido sempre bastante elevada, revelou à agência Lusa o presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Toxicodependências (SICAD), João Goulão.

 

O que se está a notar é “um tipo de situações muito preocupantes do ponto de vista do quadro social em que as pessoas se movimentam. “Há situações em que a rede social de apoio da pessoa está muito fragilizada”. São situações de dificuldades sérias, nomeadamente de desemprego, que “complicam a abordagem terapêutica destas situações”, acrescentou.

 

João Goulão salientou que o contexto atual de crise é propício ao aumento dos consumos, numa tentativa da pessoa esquecer os problemas.“Todos os consumos de substâncias (lícitas ou ilícitas) têm a ver com duas situações: Ou a busca de prazer, o que acontece muito em contextos recreativos, ou a busca do alívio do desprazer. Ou seja, em algumas circunstâncias, as pessoas consomem substâncias para afagar as mágoas”, explicou.

 

João Goulão ainda para o consumo desregrado de bebidas alcoólicas pelos jovens, lembrando que, “quanto mais cedo as pessoas começam a beber, maior é a probabilidade de virem a ter uma dependência alcoólica”.

 

Há uma série de complicações que são muito mais prováveis quando os consumos se iniciam precocemente, uma vez que o organismo ainda não está preparado para metabolizar o álcool, alertou.

 

Nesse sentido, defendeu, é importante que entre em vigor a medida que aumenta a idade legal para a compra de bebidas alcoólicas dos atuais 16 anos para os 18 anos e que consta no Plano Nacional para a Redução dos Problemas do Álcool, que entrou em vigor há dois anos.

 

“Esta medida legislativa é importante se acompanhada de mecanismos eficazes de fiscalização e se for sentida também como um instrumento por parte dos pais e educadores” para prevenirem certos comportamentos dos filhos, adiantou João Goulão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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