Tomar a pílula influi na escolha do parceiro

Estudo publicado na revista “Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences”

26 outubro 2011
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A toma da pílula anticoncepcional pode afectar significativamente as escolhas de um relacionamento de longo prazo, sugere um estudo publicado na revista “Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences”.

 

Os cientistas verificaram que a satisfação sexual é menor entre as mulheres que escolheram o seu parceiro sob o efeito de métodos contraceptivos hormonais. Já entre as mulheres que não tomavam a pílula no início de um relacionamento, a pesquisa constatou que a satisfação sexual foi mais intensa, contudo, os relacionamentos foram menos duradouros, de acordo com os cientistas que realizaram o estudo, da Universidade de Stirling, Reino Unido.

 

Para o estudo, liderado por Craig Roberts, os investigadores entrevistaram cerca de duas mil mulheres de todo o mundo, incluindo EUA, Reino Unido e República Checa. A média etária das mulheres foi de 37 anos. Para se certificarem dos níveis de compromisso do relacionamento, também foi realizado um questionário sobre características dos pais dos seus filhos e vida sexual.

 

Estranhamente, os casais que se conheceram enquanto a mulher tomava a pílula disseram-se emocionalmente mais satisfeitos e apresentaram uma maior probabilidade de ficar juntos, em média, cerca de mais dois anos. Contudo, se os casais se separaram, a ruptura foi mais propensa a ser iniciada pela mulher.

 

Embora as questões não-sexuais do seu relacionamento fossem satisfatórias, essas mulheres mostraram um aumento da insatisfação sexual durante as suas relações e um maior desejo de serem infiéis. Esta crescente insatisfação sexual pode levar a um ponto de inflexão entre a satisfação emocional e financeira e um desejo de ter uma vida sexual satisfatória, sugeriram os investigadores.

 

A apoiar a menor satisfação sexual no controlo da natalidade dos casais, estudos anteriores indicaram que mulheres com parceiros geneticamente semelhantes expressavam uma menor satisfação sexual e mais propensas à traição.

 

Uma possível explicação para os resultados, já sugerida em estudos anteriores, está relacionada com a variação das preferências femininas durante o ciclo menstrual. No período fértil, as mulheres tendem a sentir-se atraídas por homens geneticamente diferentes e com níveis mais elevados de testosterona. Quando termina o período fértil, as mulheres interessam-se mais por homens aparentemente mais carinhosos e bons cuidadores.

 

Quando as mulheres tomam a pílula, no entanto, encontram-se num "estado de eternamente grávida," o que significa que como não estão a ovular procuram futuros pais que possam tratar delas e dos futuros bebés”, apontaram os cientistas.

 

O mecanismo que conduz a escolha feminina de parceiros ainda é pouco conhecido dos cientistas. Acredita-se que o processo esteja relacionado com um grupo de genes chamado “complexo principal de histocompatibilidade” e que estes genes determinem a atracção por parceiros geneticamente diferentes, da que resulta uma descendência com maior variedade genética.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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