Todos os cigarros aumentam risco de cancro

Baixo teor de alcatrão não é excepção

13 janeiro 2004
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Os cigarros com baixo teor de alcatrão são tão mortais quanto os outros e quem os fuma não corre menos riscos de vir a ter cancro nos pulmões do que quem consome marcas convencionais, diz um estudo norte-americano divulgado na semana passada. Pela primeira vez, os cientistas analisaram a probabilidade de os fumadores de diferentes tipos de cigarros (com quantidades distintas de alcatrão) virem a desenvolver cancro. E chegaram à conclusão de que os riscos a que cada grupo está sujeito são semelhantes. Com uma excepção: os consumidores de cigarros sem filtro são os que mais sofrem daquela doença. «Este estudo evidencia como nunca que os cigarros que aparecem como sendo ''light'' e ''ultra-light'' não são menos mortais», explicou Michael Thun, um epidemiologista da Sociedade Americana do Cancro. «O que realmente reduz o risco é desistir de fumar - e desistir o quanto antes», acrescentou. Há cerca de quatro mil químicos no fumo do tabaco, mais de 50 dos quais são, comprovadamente, cancerígenos. A maior parte deles encontram-se no alcatrão. A equipa de Michael Thun e Jeffrey Harris, do Massachusetts General Hospital, em Boston, estudou a relação entre os níveis de alcatrão nos cigarros fumados em 1982 e as mortes por cancro do pulmão nos seis anos seguintes em mais de um milhão de homens e mulheres. «O aumento do risco de cancro do pulmão é semelhante nas pessoas que fumaram cigarros com teor médio de alcatrão (15-21 mg), ou nas que fumaram cigarros com baixo grau (8-14 mg) ou ainda nas que consumiram marcas com menos de sete miligramas», afirmam os cientistas num artigo publicado no «The British Medical Journal». Todos os fumadores apresentaram maior probabilidade de sofrer de cancro nos pulmões do que os que nunca fumaram ou desistiram de fumar. Os cigarros sem filtro, os mais perigosos, constituíam em 1996 um por cento das vendas de tabaco nos Estados Unidos; uma percentagem que sobe para 20 por cento na China e 15 por cento na França. Tim Lord, da associação de fabricantes de tabaco em Londres, explicou, por seu lado, que nunca os cigarros com menos alcatrão foram promovidos como sendo mais saudáveis. Não existe um cigarro seguro, lembrou. Fonte: Público /Reuters

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