Todas as acções têm um início e um fim

Estudo publicado na “Nature”

25 julho 2010
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O início e o fim de uma acção aprendida dependem da actividade de determinados neurónios, a qual está muitas vezes comprometida em pacientes que sofrem da doença de Parkinson ou de Huntington, dá conta um estudo publicado na “Nature”.

 

O comportamento animal, incluindo o dos humanos, é complexo e muitas vezes é visto como uma sequência de acções ou movimentos com um início ou um fim preciso. Isto é evidente, por exemplo, quando se aprende a tocar piano, a escrever palavras num teclado, a conduzir um automóvel ou a fazer qualquer outra tarefa que tenha de ser aprendida.

 

Em declarações ao “Diário de Notícias”, um dos autores do estudo, Rui Costa, do Programa Champalimaud de Neurociências no Instituto Gulbenkian de Ciência revelou que "para as acções inatas, como respirar, já se sabia que há circuitos numa zona da base do cérebro que controlam a sequência das acções. Então perguntámo-nos: e nas acções aprendidas? Será que existe um circuito idêntico ao que controla o início e o fim das acções inatas?"

 

Rui Costa e Xin Jin, do National Institutes of Health, nos EUA, mostraram que, quando os ratinhos estão a aprender a executar uma determinada sequência comportamental, há uma actividade neuronal específica que é iniciada nos circuitos cerebrais localizados nos gânglios basais e que sinaliza o início e o fim da acção. Curiosamente, estes são os mesmos circuitos que estão afectados nos doentes que sofrem de doença de Parkinson ou Huntington, que apresentam falhas na sequência de aprendizagem e, ainda, no arranque e na paragem dos movimentos voluntários.

 

Após terem manipulado geneticamente estes circuitos em ratinhos, os cientistas constataram que esta alteração conduzia a problemas na sequência de aprendizagem − novamente, uma característica partilhada com os pacientes que sofrem da doença de Parkinson ou Huntington.

 

Para Rui Costa e Xin Jin, o passo seguinte é perceber o que é diferente nas células que iniciam ou findam uma determinada acção. "É o que estamos a fazer agora." O objectivo é abrir caminho à possibilidade de estimulação eléctrica que permita no futuro aos doentes com este problema reconquistar o controlo das suas acções.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A

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