Titanic: Bebé que morreu no naufrágio identificado pelo ADN

Novas técnicas ao serviço da história

11 novembro 2002
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Noventa anos após o maior naufrágio da história da navegação, a avançada tecnologia de ADN, em conjunto com uma vasta equipa de investigadores e historiadores conseguiu identificar a «criança desconhecida» que morreu no naufrágio do Titanic.
 

 

O mistério permanecia desde 1912, quando a tripulação do navio de resgate Mackay-Bennett encontrou o corpo de um bebé de cabelos claros, poucos dias depois do desastre com o transatlântico, que matou 1.517 pessoas.
 

 

Como o rapaz não foi identificado, os tripulantes decidiram levar o corpo para Halifax e pagar um enterro digno. O pequeno caixão foi sepultado numa colina no cemitério Fairview Lawn, junto com outras 120 vítimas. A lápide, que atrai a atenção de muitos visitantes, diz simplesmente «criança desconhecida.»
 

 

Agora os especialistas descobriram trata-se de Eino Viljami Panula, que tinha 13 meses de idade no dia 15 de Abril de 1912, quando o naufrágio ocorreu. A sua mãe e quatro irmãos, todos finlandeses, também morreram no acidente.
 

 

Num documentário elaborado pela cadeia norte-americana CCN, Magda Schleifer, 68 anos, disse que sempre soube que o seu primo de segundo grau tinha morrido no naufrágio, mas para ela a sensação de perda tornou-se mais real a partir do resultado dos exames de sangue.
 

 

Eino viajava para os Estados Unidos com a mãe e os irmãos para se encontrara com o pai, que trabalhava no estado da Pensilvânia. Na Finlândia, a família nunca foi avisada da identificação de qualquer dos corpos.
 

 

Mas, no início de Outubro, os produtores da série televisiva «Segredos dos Mortos» entraram o contacto de Magda Schleifer e perguntaram-lhe se ela poderia doar um pouco de sangue para um exame de ADN.
 

 

A mulher nunca tinha ouvido falar de uma «criança desconhecida», mas dispôs-se a ajudar, especialmente ao perceber que o bebé morto teria na época a mesma idade que hoje tem a sua neta, que também viajou a Halifax.
 

 

Segundo Uurtla, filha de Magda, a visita ao cemitério, em companhia da equipa do programa, foi muito emotiva para a sua mãe. «No cemitério, onde há tantos corpos, é tocante o facto das pessoas trazerem brinquedos para os poucos bebés enterrados ali», afirmou. «Ali, tudo se torna concreto, não uma simples história, e lembramo-nos de como os tripulantes do Mackay-Bennett tomaram conta da criança. Quem não se emocionaria?»
 

 

O documentário «Fantasmas do Titanic» será apresentado a 20 de Novembro pela TV pública norte-americana e foi produzido em parceria com o Channel Four britânico e com o canal National Geographic.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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