Tipo de sangue pode influenciar risco de diabetes tipo 2

Estudo publicado na revista “Diabetologia”

26 dezembro 2014
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O risco e desenvolvimento de diabetes tipo 2 pode estar associado ao tipo de sangue, sugere um estudo divulgado na publicação científica “Diabetologia”.
 
Estudos anteriores já tinham investigado a associação entre o tipo de sangue e a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais, tendo-se verificado que os indivíduos com o grupo sanguíneo AB apresentavam um maior risco de desenvolver esta condição, comparativamente com aqueles com grupo sanguíneo O. 
 
Relativamente à associação entre o tipo de sangue e o desenvolvimento de diabetes tipo 2, os estudos realizados até à data eram de pequenas dimensões, não tendo, por isso, conseguido fornecer resultados definitivos. Assim, neste estudo os investigadores do Centro de Investigação em Epidemiologia e Saúde da População do INSERM, em França, resolveram aprofundar esta possível associação, contando para tal com a participação de 80.104 mulheres.   
 
O estudo teve como objetivo avaliar a relação do grupo sanguíneo ABO (A, B, AB e O), o fator Rhesus (positivo ou negativo) e a combinação do grupo sanguíneo e fator Rhesus (Rh) com o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.
 
O estudo apurou que, comparativamente com as mulheres com grupo sanguíneo O, os indivíduos com o tipo A e B apresentavam um risco 10 e 21% maior de desenvolver diabetes tipo 2. Relativamente às mulheres do grupo sanguíneo AB, estas apresentavam um risco 17% maior de desenvolver a doença, contudo, esta diferença não foi estaticamente significativa. Não foi encontrada nenhuma diferença no risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 entre as mulheres com fator Rh positivo e negativo.
 
Posteriormente, os investigadores combinaram o grupo sanguíneo ABO com o fator Rh. Cada combinação foi comparada com o sangue tipo O negativo, uma vez que os indivíduos com este tipo de sangue são considerados dadores universais, uma vez que não apresentam antigénio A, B e Rh.
 
Comparativamente com as mulheres O negativo, aquelas com o tipo de sangue B positivo apresentavam um risco 35% maior de desenvolver a doença, as que tinham sangue AB positivo 26%, A negativo 22% e A positivo 17%. Os resultados dos grupos O negativo, B negativo e AB negativo não foram estaticamente significativos.
 
“Os nossos achados apoiam a associação entre o grupo sanguíneo e o risco de diabetes, com os participantes com o sangue tipo O a apresentarem um menor risco de diabetes tipo 2”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Guy Fagherazzi.
 
De acordo com os autores do estudo, as razões que estão na base desta associação ainda são desconhecidas, mas podem estar relacionadas com vários fatores. Tem sido sugerido que o locus ABO pode influenciar marcadores endoteliais e inflamatórios. Este grupo está também associado a várias moléculas, conhecidas por estarem associadas à diabetes tipo 2. Um estudo recente sugeriu que o grupo sanguíneo ABO é um fator que determina a composição da flora intestinal, que, por sua vez, afeta o metabolismo e pode estar associada à diabetes tipo 2.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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