Timidez está no cérebro

Cérebro funciona de forma diferente desde a infância

19 junho 2003
  |  Partilhar:

Uma criança tímida, que foge de pessoas, objectos e situações novas, será um adulto tímido? Cientistas norte-americanos dizem que sim, porque a forma como se foge ou procura as novidades depende, em parte, de diferenças no cérebro que existem desde a infância. Essas diferenças são no funcionamento da amígdala, uma estrutura cerebral em forma de amêndoa que está envolvida no controlo das emoções e no interesse, ou não, pelas novidades - segundo o estudo que a equipa de Carl Schwartz, do Hospital Geral de Massachusetts e da Faculdade de Medicina de Harvard (EUA) publica hoje na revista «Science».
 

 

Neste estudo participaram 22 jovens adultos, cujas idades rondavam os 21 anos. Mas este trabalho é o último capítulo de uma investigação, a longo prazo, iniciada há cerca de 20 anos, por outro dos autores do artigo na «Science», Jerome Kagan, da Universidade de Harvard.
 

 

Um grande grupo de crianças, com cerca de dois anos, começou por ser classificado conforme a sua timidez ou extroversão. Quando as crianças tinham cerca de 13 anos, a equipa de Kagan voltou a estudá-las. Agora, comparou-se a actividade cerebral de 22 adultos - que, em criança, participaram no estudo de Kagan -, através da técnica da ressonância magnética funcional. Treze foram considerados tímidos em criança e os restantes eram extrovertidos.
 

 

Primeiro, mostraram-lhes, várias vezes, imagens de rostos. Depois, voltaram a mostrar-lhes algumas das fotografias já vistas e outras totalmente novas. Nenhum dos rostos apresentava quaisquer emoções, para não distorcer os resultados do estudo.
 

 

Embora seja normal um aumento na actividade da amígdala quando se vêem rostos desconhecidos, nos participantes tímidos a resposta por parte da amígdala foi muito maior do que nos participantes desinibidos. Já a resposta a rostos familiares foi mais ou menos a mesma nos dois grupos de participantes. Os cientistas partem, assim, do pressuposto de que as distinções detectadas no cérebro dos indivíduos aos 21 anos já existiam quando eram crianças. Por isso, a equipa também admite que este estudo necessita de confirmação numa população alargada.
 

 

Fonte: Público
 

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.