Testes práticos protegem a memória do stress

Estudo publicado na revista “Science”

30 novembro 2016
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Aprender através de testes práticos, uma estratégia conhecida como Retrieval Practice (prática de recuperação de memória), pode proteger a memória contra os efeitos negativos do stress, sugere um estudo publicado na revista ”Science”.
 
Para o estudo, os investigadores da Universidade de Tufts, nos EUA, contaram com a participação de 120 estudantes, os quais tiveram de aprender 30 palavras e 30 imagens. A informação foi apresentada através de um programa de computador, que mostrou um item de cada vez durante alguns segundos. Os participantes tinham 10 segundos para escrever uma frase com o item, imediatamente após a sua visualização.
 
Um grupo de participantes estudou através da prática de recuperação de memória, tendo realizado testes práticos cronometrados nos quais recordavam livremente o maior número de itens possível. O outro grupo utilizou a prática do estudo. Para estes participantes, os itens foram recolocados no ecrã computador, um de cada vez, durante alguns segundos. Os participantes tiveram vários períodos, cronometrados, para estudar.
 
Após uma pausa de 24 horas, metade de cada grupo foi submetido a um cenário indutor de stress. Os participantes foram obrigados a dar um discurso inesperado, tendo que improvisar e resolver problemas de matemática em frente a dois avaliadores, três colegas e uma câmara de vídeo. 
 
Os participantes fizeram dois testes de memória, nos quais tinham de recordar as palavras ou imagens que estudaram no dia anterior. Estes testes foram realizados durante o cenário de stress e após vinte minutos, para analisar a memória sob stress imediato e retardado. Os restantes participantes do estudo fizeram os testes de memória durante e após uma tarefa sem stress.
 
Os indivíduos submetidos ao stress que aprenderam através da prática de recuperação de memória lembraram-se, em média, de cerca de 11 itens de cada conjunto de 30 palavras e imagens, comparativamente com 10 itens dos colegas que não foram submetidos ao stress. Os participantes que aprenderam através da prática do estudo lembraram-se, em geral, de menos palavras, com uma média de 7 itens para indivíduos sob stress e pouco menos de 9 itens para aqueles que não foram submetidos ao stress.
 
Apesar de estudos anteriores já terem demonstrado que a prática da recuperação de memória é uma das melhores estratégias de aprendizagem disponíveis, os investigadores ficaram surpreendidos com a sua eficácia nos indivíduos sob stress
 
Amy Smith, uma das autoras do estudo, refere que foi como se o stress não tivesse tido qualquer efeito na memória.
A investigadora conclui que estes resultados sugerem que não é necessariamente uma questão de quanto ou durante quanto tempo alguém estuda, mas a forma como se estuda.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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