Testes genéticos em embriões

Para seleccionar o bébe com as melhores características

12 junho 2001
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Médicos do Instituto de genética reprodutiva de Chicago (EUA) anunciaram o nascimento do primeiro bebé que, enquanto embrião, antes de ser implantado no útero materno, foi rastreado de forma a apurar se era portador de uma alteração genética que o predispunha ao desenvolvimento de cancros.
 

 

Este caso vem novamente reacender as preocupações éticas acerca da ciência ultrapassar todos os limites na procura do bebe “feito-à-medida”, e assim os pais poderem escolher as características que prefiram entre vários embriões.
 

 

Os investigadores do “Chicago´s Reproductive Genetics Institute”, líderes no rastreio de doenças genéticas em ovos e embriões nos primeiros dias de desenvolvimento, afirmaram ontem que conseguiram ajudar um casal de Nova Iorque a ter uma criança saudável, sem uma doença genética de incidência familiar, o Síndroma de Li-Fraumeni, que predispõe o doente a vários tipos de cancros, como o cancro da mama e as leucemias.
 

 

“A família paterna apresenta o gene do síndroma de Li-Fraumeni já há duas gerações”,afirmou o director do instituto, o Dr. Yuri Verlinsky. “Esta é a primeira vez que um casal se submete a este rastreio genético e levou a gravidez a termo”.
 

 

Neste caso, o ovo fecundado foi rastreado para o gene porque o portador era o pai, caso o gene estivesse presente na família materna bastaria rastrear o óvulo não-fecundado.
 

 

Os indivíduos que têm o síndroma de Li-Fraumeni apresentam um risco de 50% de desenvolverem uma patologia cancerígena até aos 45 anos de idade, e que aumenta para os 90% aos 65 anos de idade.
 

 

Estas mutações genéticas também poderiam ser detectadas por amniocentese no segundo trimestre da gravidez ou através da biopsia das vilosidades coriónicas.
 

 

O Dr. Verlinsky afirma ainda que este método é “uma alternativa ao diagnóstico pré-natal”. “Assim o diagnóstico genético “pré-implantação” significa que não é necessário implantar o embrião e esperar que este se desenvolva até se descobrir que apresenta uma “anomalia” genética, e assim podemos evitar um aborto eugénico".
 

 

Segundo este grupo de cientistas é possível detectar 45 anomalias genéticas numa fase muito precoce do embrião, e com o maneamento do genoma humano as possibilidades multiplicam-se.
 

 

Mas com avanços dos cientistas no campo da genética e da fertilização “in-vitro”, as questões éticas tornam-se cada vez mais importantes.
 

 

Como adverte Stuart Newman membro do “Council for Responsible Genetics”, “estamos a alterar o conceito de “ser humano”, a substituir-lo por um catálogo de genes” e acrescenta que “embora não tendo nada contra o planeamento familiar, estamos contra o planeamento genético em que se escolhe as características da próxima geração.”
 

 

Outros cientistas que trabalham nesta área afirmam que existe ainda o perigo de os testes genéticos possam de alguma forma prejudicar o desenvolvimento normal do feto.
 

 

A ausência de regulamentação precisa e de standards globais na área da investigação genética permite que, em alguns países, a consciência dos médicos dite os limites das suas investigações.
 

 

Fonte: Reuters
 

 

Adaptado por:
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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