Testes de provocação mais eficazes na deteção de alergias a antibióticos

Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

13 abril 2016
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Os testes cutâneos que são normalmente utilizados para identificar ou prever alergias a antibióticos em crianças revelam-se ineficazes, indica um estudo levado a cabo por cientistas canadianos e publicado no “JAMA Pediatrics”.
 
Cerca de dez por cento das crianças que tomam antibióticos desenvolvem alergias cutâneas, sendo a maioria destes casos diagnosticada como alergia ao medicamento sem qualquer avaliação posterior. Esta situação leva a que muitos pacientes deixem de utilizar o medicamento em causa em detrimento de outras alternativas que poderão ser não só mais caras, como também menos eficazes e mais tóxicas.
 
Para avaliar a eficácia do teste cutâneo normalmente utilizado para a deteção e diagnóstico de alergia à amoxicilina, um dos fármacos mais comuns prescritos a crianças, os cientistas do Hospital Pediátrico de Montreal da Universidade de McGill, no Canadá, avaliaram 818 crianças que acorreram à Clínica de Alergias do hospital, entre 2012 e 2015. Os cientistas procuraram avaliar a eficácia dos testes cutâneos em relação aos testes de provocação (testes em que o paciente é exposto gradualmente ao alergénio). Contrariamente a estudos anteriores, todos os participantes foram submetidos ao teste de provocação.
 
O estudo revelou que 94% das crianças toleraram quantidades crescentes de amoxicilina, através do teste de provocação. Apenas 17 participantes apresentaram uma reação imediata positiva à amoxicilina, e apenas uma criança deste grupo apresentou resultado positivo no teste cutâneo. Trinta e um participantes apresentaram reações alérgicas mais de uma hora após o teste de provocação. Estas reações alérgicas foram ligeiras e manifestaram-se apenas como erupções cutâneas. 
 
De acordo com Ben-Shoshan, líder do estudo, esta investigação demonstrou que “a amoxicilina pode ser utilizada com segurança em crianças com teste de provocação negativo, apesar de menos de 10% poder vir a desenvolver sintomas cutâneos ligeiros após exposição subsequente”.
 
Como tal, o cientista conclui que “os testes cutâneos são basicamente inúteis como meios de diagnóstico e que se deveria optar por realizar testes de provocação, que são mais sensíveis e específicos”. Para este autor, trata-se de um achado revolucionário, na medida em que os testes cutâneos são os meios de diagnóstico recomendados para a avaliação da alergia à amoxicilina em crianças.
 
Contudo, os cientistas alertam para a necessidade de se realizarem mais estudos para averiguar os fatores associados a resultados específicos dos testes de provocação, especialmente analisar a associação com marcadores genéticos, de forma a determinar o risco de desenvolver reações alérgicas a antibióticos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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