Teste sanguíneo prevê risco de hipertensão

Estudo publicado na revista “Circulation”

31 agosto 2015
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Análises ao sangue sugerem que uma versão mais sensível de um teste sanguíneo, já há muito utilizado para verificar danos no músculo cardíaco após enfarte agudo do miocárdio, pode também identificar os indivíduos que irão desenvolver hipertensão, dá conta um estudo publicado na revista “Circulation”.
 

Os investigadores da Universidade de Johns Hopkins, nos EUA, constataram que os indivíduos com aumentos subtis na troponina T, em níveis bem abaixo daqueles detetados na versão padrão do teste para o enfarte, eram mais propensos a serem diagnosticados com hipertensão dentro de poucos anos. O estudo também demonstrou que o teste poderia identificar aqueles em risco de hipertrofia ventricular esquerda, um espessamento anormal da câmara inferior esquerda do coração, uma consequência comum da pressão arterial elevada sem tratamento.
 

“Identificar aqueles que estão em risco de hipertensão, assim como aqueles em estadio precoce da doença permitirá uma intervenção mais rápida, quer em termos de alterações do estilo de vida como na toma de medicação, antes da condição se desenvolver completamente e danificar outros órgãos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Bill McEvoy.
 

Para o estudo os investigadores analisaram amostras de sangue de 5.479 indivíduos os quais foram acompanhados ao longo de 12 anos. Nenhum dos participantes tinha sido diagnosticado com hipertensão no início do estudo, apesar de cerca de 27% ter pressão arterial normal a elevada, uma condição que muitas vezes anuncia o início da hipertensão.
 

Os investigadores apuraram que, comparativamente com os indivíduos cujos níveis de troponina eram indetetáveis (menos de 5 nanogramas por decilitro) aqueles com aumentos ligeiros (5 a 8 nanogramas por decilitro) apresentavam uma taxa de 13% maior de hipertensão ao longo do período de acompanhamento. Aqueles com níveis de troponina claramente aumentados (9 a 13 nanogramas por decilitro) tinham um risco 24% maior de desenvolver hipertensão. Verificou-se ainda que os indivíduos com níveis de troponina superiores a 13 nanogramas por decilitro apresentavam um risco 40% maior de hipertensão.
 

Da mesma forma, comparativamente com os indivíduos cujos níveis de troponina eram indetetáveis no teste de elevada sensibilidade, os participantes com níveis de troponina ligeiramente elevados eram duas vezes mais propensos a desenvolver espessamento do músculo cardíaco seis anos após o teste inicial. Os indivíduos com níveis de troponina elevados ou muito elevados eram três ou cinco vezes mais propensos a ter espessamento músculo cardíaco no prazo de seis anos, respetivamente.
 

"Os nossos dados sugerem que o teste de elevada sensibilidade da troponina pode identificar as pessoas que com pressão arterial aparentemente normal têm um elevado risco de hipertensão e outras complicações cardíacas", referiu uma das autoras dom estudo, Elizabeth Selvin.

 

Os autores referem que, por exemplo, os indivíduos com picos de pressão arterial ao longo do dia ou aqueles em que a pressão não baixa adequadamente durante o sono podem não ser identificados ao longo das monitorizações regulares da pressão arterial. Estes indivíduos são propensos a desenvolver danos cardíacos silenciosos e evoluir para hipertensão severa em poucos anos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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