Teste sanguíneo pode detetar várias patologias

Estudo publicado no “Proceedings of National Academy of Sciences”

18 março 2016
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Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu um teste sanguíneo capaz de detetar várias patologias, incluindo diabetes, cancro, lesões traumáticas e neurodegeneração de uma forma muito sensível e específica, dá conta um estudo publicado no “Proceedings of National Academy of Sciences”.
 
A morte celular é uma característica central da biologia humana, tanto da saúde como da doença. Esta pode ser indicadora dos estadios de uma patologia (nomeadamente, um tumor em desenvolvimento ou o início de uma doença autoimune ou neurodegenerativa), marcar a progressão da doença, refletir o sucesso de uma terapia, identificar os efeitos tóxicos indesejados de um tratamento, etc. No entanto até à data, não era possível medir a morte celular em tecidos humanos específicos de uma forma não-invasiva.
 
Esta nova análise de sangue deteta a morte celular em tecidos específicos através da combinação de dois princípios biológicos importantes. Em primeiro lugar, as células que morrem libertam ADN fragmentado para a circulação, que viaja ao longo de um curto período de tempo. No entanto, uma vez que a sequência de ADN de todas as células no corpo é idêntica, não é possível determinar o tecido de origem do ADN que está em circulação.
 
O segundo princípio é que o ADN de cada tipo de célula tem uma modificação química única, conhecida por metilação. Os padrões de metilação do ADN estão envolvidos na identificação das células, são semelhantes entre diferentes células do mesmo tipo e entre os indivíduos, e permanecem estáveis em situações de saúde e de doença. 
 
O estudo, liderado pelos investigadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, identificou múltiplas sequências de ADN que estão metiladas de uma forma específica nos tecidos e que podem funcionar como biomarcadores para a deteção do ADN proveniente de cada tecido.
 
Os investigadores desenvolveram um método capaz de detetar estes padrões metilação no ADN em circulação, tendo demonstrado a sua utilidade para identificar a origem de ADN em circulação em diferentes patologias humanas, como uma indicação da morte celular em tecidos específicos. 
 
Os cientistas foram capazes de detetar evidências da morte das células beta pancreáticas no sangue de pacientes com diabetes tipo 1, a morte de oligodendrócitos em pacientes com esclerose múltipla recorrente, morte de células cerebrais em pacientes após uma lesão cerebral traumática ou isquémica e morte das células pancreáticas exócrinas em pacientes com cancro do pâncreas ou pancreatite.
 
De acordo com uma das líderes do estudo, Ruth Shemer, estes resultados demonstram que as origens dos tecidos do ADN em circulação pode ser medido nos humanos. Isto representa um novo método para a deteção sensível da morte celular em tecidos específicos e uma abordagem interessante para a medicina do diagnóstico. 
 
Esta abordagem pode ser adaptada para identificar o ADN em circulação de qualquer tipo de célula no organismo, oferecendo uma forma minimamente invasiva de monitorizar e diagnosticar múltiplas patologias.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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