Teste sanguíneo para o risco de suicídio

Estudo publicado no “The American Journal of Psychiatry”

01 agosto 2014
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Investigadores americanos descobriram uma alteração num gene associado a reações ao stress que poderá resultar num teste sanguíneo capaz de prever o risco de tentativa de suicídio, revela um estudo publicado no “The American Journal of Psychiatry”.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Johns Hopkins, nos EUA, sugere que as alterações num gene, envolvido na resposta do cérebro às hormonas do stress, desempenham um papel importante na transformação do que poderia ser uma reação banal ao stress quotidiano em pensamentos e comportamentos suicidas.
 

“O suicídio é dos principais problemas de saúde pública evitável. Contudo, ainda não há uma forma consistente de prever quem vai cometer este tipo de ação. Com um teste como este, poderemos ser capazes de conter as taxas de suicídio, identificando as pessoas e intervir cedo o suficiente para evitar uma catástrofe”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Zachary Kaminsky.
 

Neste estudo, os investigadores focaram-se numa mutação num gene denominado por SKA2, o qual está envolvido na inibição dos pensamentos negativos e no controlo dos pensamentos impulsivos. Através da análise de amostras cerebrais provenientes de indivíduos mentalmente doentes e de indivíduos saudáveis, os investigadores constataram que aqueles que tinham cometido suicídio apresentavam níveis significativamente reduzidos do gene SKA2.
 

O estudo apurou também que alguns dos participantes apresentavam uma modificação epigenética no SKA2, que alterava o seu funcionamento. Esta modificação consistia numa maior metilação do gene, tendo-se verificado que esta alteração ocorria nos indivíduos que tinham cometido suicídio.
 

Posteriormente, os investigadores desenharam um modelo de análise que previu, num total de 325 indivíduos, quais os participantes que tiveram pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio com 80% de segurança. O modelo também apurou, com cerca de 90% de precisão, quais os participantes que apresentavam um maior risco de tentativa de suicídio.
 

“Identificamos um gene que acreditamos que desempenha um papel importante na identificação de uma vasta gama de comportamentos associados ao suicídio. Apesar de estes resultados necessitarem de ser comprovados em estudos de maiores dimensões, acreditamos que poderemos monitorizar o sangue para identificar os indivíduos que estão em maior risco de cometer suicídio”, conclui Zachary Kaminsky.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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