Teste sanguíneo diagnostica depressão

Estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”

22 setembro 2014
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Investigadores americanos desenvolveram um teste sanguíneo capaz de diagnosticar a depressão e perceber quais os indivíduos que poderão beneficiar da terapia comportamental, dá conta um estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”.
 

O atual método de diagnóstico da depressão é subjetivo e baseado em sintomas poucos específicos como humor afetado, fadiga e alterações de apetite, os quais podem ser aplicados a vários problemas mentais e físicos. O diagnóstico também se baseia na capacidade de os pacientes relatarem os seus sintomas e dos médicos os interpretarem. Contudo, os indivíduos com depressão descrevem frequentemente os sintomas de uma forma inadequada.
 

“A saúde mental encontra-se onde a medicina estava há 100 anos atrás, quando os médicos diagnosticavam as doenças ou distúrbios com base nos sintomas”, revelou, em comunicado de imprensa, o colíder do estudo, David Mohr. A
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Northwestern, nos EUA, contaram com a participação de 32 pacientes diagnosticados com depressão e 32 indivíduos saudáveis. Os participantes tinham idades compreendidas entre os 21 e os 79 anos. Os pacientes estavam também a participar num estudo para comparação da eficácia da terapia comportamental presencial e através de telefone.
 

Antes do início deste tipo de terapia, os investigadores foram capazes de identificar, com base nos níveis das moléculas de RNA, nove marcadores associados à presença de depressão. Após 18 semanas do início da terapia, a alteração dos níveis de determinados marcadores foi capaz de diferenciar os pacientes que tinham respondido positivamente ao tratamento e não estavam deprimidos, daqueles que ainda permaneciam deprimidos.
 

De acordo com os investigadores, este teste é também capaz de prever os pacientes que irão beneficiar da terapia comportamental, tendo por base o padrão inicial dos níveis dos nove marcadores associados à depressão. Os níveis sanguíneos dos mesmos marcadores apresentaram um padrão diferente para os pacientes que não melhoraram com a terapia. Na opinião dos investigadores, esta distinção pode ser utilizada para prever quem irá, ou não, responder à terapia.
 

O estudo também apurou que a concentração de três dos nove marcadores de RNA manteve-se diferente nos pacientes deprimidos e saudáveis, mesmo no caso de os pacientes terem entrado em remissão após a terapia. De acordo com uma das autoras do estudo, Eva Redei, estes três marcadores podem ajudar na predisposição para a depressão, mesmo na ausência de um episódio depressivo atual.
 

“Este teste coloca o diagnóstico da saúde mental no século 21 e oferece a primeira abordagem de medicina personalizada para os indivíduos que sofrem de depressão”, acrescentou a autora do estudo, Eva Redei.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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