Teste sanguíneo deteta doença de Alzheimer em estadio inicial

Estudo publicado na revista “Alzheimer's & Dementia”

14 junho 2016
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Investigadores americanos desenvolveram um teste sanguíneo de elevada precisão que aproveita a resposta do sistema imunitário para detetar uma fase inicial da doença de Alzheimer, conhecida como distúrbio cognitivo ligeiro, dá conta um estudo publicado na revista “Alzheimer's & Dementia”.
 

Cerca de 60% dos distúrbios cognitivos ligeiros são causados por um estadio inicial da doença de Alzheimer. Os restantes são causados por outros fatores, incluindo questões vasculares, efeitos secundários de fármacos e depressão. De forma a fornecer os cuidados adequados, os médicos necessitam de saber quais os casos de distúrbio cognitivo ligeiro que são causados pelo estadio inicial da doença de Alzheimer e quais não são.
 

Cassandra DeMarshall, a líder do estudo, referiu que os resultados deste estudo demonstraram que é possível utilizar um pequeno número de autoanticorpos para diagnosticar com precisão uma fase inicial da doença de Alzheimer. Na opinião da investigadora, estes achados podem conduzir ao desenvolvimento de uma forma simples, relativamente não invasiva e sem custos de diagnosticar esta doença devastadora no seu estadio inicial.
 

O estudo também demonstrou que o teste é capaz de identificar com precisão o estadio da doença, uma vez que diferencia o estadio inicial da doença de Alzheimer de um mais avançado. Verificou-se também que é específico para esta doença neurológica, sendo capaz de a distinguir da doença de Parkinson, esclerose múltipla e cancro da mama em estadio inicial.  
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores da Universidade de Rowan, nos EUA, analisaram as amostras de sangue de 236 indivíduos, incluindo 50 com distúrbio cognitivo ligeiro e com níveis baixos do peptídeo beta-amilóide no líquido cefalorraquidiano. Este peptídeo é um indicador fiável da patologia em curso da doença de Alzheimer no cérebro e prevê uma rápida progressão da doença de Alzheimer.
 

Através da utilização de uma técnica de biologia molecular, os investigadores identificaram 50 autoanticorpos capazes de detetar o estadio inicial da doença de Alzheimer nos pacientes com distúrbio cognitivo ligeiro.
 

Nos vários testes realizados, os 50 biomarcadores foram 100% precisos a distinguir os pacientes com distúrbio cognitivo ligeiro devido à doença de Alzheimer daqueles indivíduos saudáveis. Testes adicionais demonstraram elevadas taxas de precisão no que diz respeito à diferenciação de pacientes com doença de Alzheimer na fase de distúrbio cognitivo ligeiro daqueles com doença de Alzheimer em estadio mais avançado (98,7%), doença de Parkinson em estadio inicial (98%), esclerose múltipla (100%) e cancro da mama (100%).
 

De acordo com os autores, o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer e a capacidade de identificar o estadio da doença através de uma simples análise ao sangue pode fornecer muitos benefícios.
 

Os pacientes podem possivelmente atrasar a progressão da doença através de alterações do estilo de vida, iniciar o tratamento mais cedo e planear cuidados médicos futuros. Por outro lado, os médicos teriam uma forma de medir a eficácia de uma intervenção terapêutica e os ensaios clínicos poderiam incluir pacientes que estavam de facto no estadio inicial da doença.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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