Teste revoluciona prevenção do suicídio

Estudo publicado no “Journal of Psychiatric Research”

30 setembro 2013
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Uma simples medição da atividade das glândulas sudoríparas pode determinar se um indivíduo é suicida, com 97% de precisão, dá conta um estudo publicado no “Journal of Psychiatric Research”.
 

“Os resultados são tão sólidos que estou atónito. Podemos determinar com grande precisão se um indivíduo se encontra em risco de cometer suicídio, o que pode revolucionar a sua prevenção”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Lars-Håkan Thorell.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Linköping, na Suíça, contaram com a participação de 783 indivíduos com depressão, os quais foram submetidos a um teste para apurar a presença de hiporeatividade, que se traduz numa reduzida capacidade de responder a vários estímulos.
 

Um indivíduo depressivo e suicida reage de forma diferente as alterações do meio envolvente, comparativamente com uma pessoa saudável. Os resultados deste teste confirmaram aqueles obtidos em estudos anteriores que já tinham revelado que havia uma forte correlação entre a hiporeatividade e o suicídio nos indivíduos depressivos.
 

A hiporeatividade pode ser medida através da audição de um padrão de timbres, enquanto as reações corporais, tais como pressão arterial e actividade das glândulas sudoríparas, são medidas com sensores colocados nos dedos. A primeira vez que um determinado timbre é ouvido, toda as pessoas reagem. Esta é uma reação de orientação geral que ocorre automaticamente. Contudo, quando o timbre é escutado pela segunda vez, a reação diminui em algumas pessoas, as hiporeativas. “As pessoas com depressão têm uma incapacidade de se aperceber do ambiente circundante, enquanto os indivíduos saudáveis continuam a reagir” explicou Lars-Håkan Thorell
 

Foi verificado que hiporeatividade estava presente em 97% dos pacientes deprimidos que mais tarde cometeram suicídio, comparativamente com os apenas 2% dos deprimidos que não era hiporeativos.
 

O estudo também apurou que não havia uma relação entre a severidade da depressão e a hiporeatividade. “É um indicador, mesmo as pessoas saudáveis podem ter esta condição neurofísica. As pessoas que têm esta condição não são suicidas, mas a maiorias das suicidas e depressivas têm-na”, explicou o investigador.
 

Os investigadores verificaram que a hiporeatividade era mais prevalente nos doentes bipolares. Dos 126 pacientes, 80,2% apresenta esta condição comparativamente com os 67,3 % e 58.5% dos indivíduos com depressão e os sem diagnósticos, respetivamente. Adicionalmente foi demonstrado que as pessoas com depressões recorrentes apresentam um risco, a determinada altura das suas vidas, de ficarem hiporeativas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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