Teste revela “árvore genealógica” das metástases do cancro

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

24 abril 2014
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O processo da formação de metástases, ou seja, a capacidade de um tumor se disseminar para outras partes do organismo, é pouco conhecido. Contudo, uma equipa de investigadores americanos desenvolveu um teste rápido e fácil que pode ajudar a revelar as relações evolutivas entre as diferentes localizações do tumor de um paciente, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

“Se formos capazes de construir a árvore genealógica de todos os nódulos do cancro de um paciente, poderíamos determinar como os diferentes tumores estão relacionados entre si e reconstruir como o cancro evolui”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Kamila Naxerova.
 

De acordo com os investigadores do Hospital General de Massachusetts, nos EUA, para se perceber se a diversidade genética é um fator de risco para o desenvolvimento de tumores agressivos ou se esta está associada com a resistência, é necessário analisar amostras de vários pacientes, com diferentes tipos de cancro. A utilização de tecnologias para sequenciação do genoma completo requer equipamento especializado e uma análise de dados avançada, dois processos que ainda são relativamente dispendiosos.
 

Assim neste estudo os investigadores apostaram numa nova abordagem que se centrou em pequenas áreas do genoma humano, as poliguaninas (Poly-G, sigla em inglês), as quais são particularmente suscetíveis a mutações que ocorrem frequentemente durante a divisão celular. Apesar de estas mutações não estarem diretamente associadas ao desenvolvimento ou progressão do tumor, podem revelar a sua linhagem, ou seja, como cada célula tumoral está relacionada com as outras.
 

Através da análise dos perfis de poli-G em 22 amostras de cancro do cólon primário e metastizado, os investigadores constataram como a forma como estes tumores se relacionavam entre si, diferia em cada paciente. Em alguns indivíduos havia diferenças genéticas significativas entre os tumores com diferente  localização, o que é sugestivo de uma disseminação precoce das metástases. Noutros casos os investigadores verificaram que havia pouca diferença entre o tumor primário e as suas metástases.
 

O estudo também identificou casos em que os perfis genéticos das metástases eram similares aos encontrados apenas nas células do tumor primário, sugerindo que estas células eram a fonte das metástases. Foram detetados também outros casos em que o perfil genético dos tumores primários e das metástases diferiam, dependendo da sua localização.
 

“Verificamos que há várias vias que podem conduzir ao aparecimento das metástases. Estamos agora a aplicar esta metodologia para abordar questões clinicamente relevantes sobre a biologia das metástases num maior número de pacientes. O método é rápido e barato e poderá ser aplicado a outros tipos de tumores”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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