Teste rápido identifica problemas de literacia

Estudo publicado na revista “PLOS Biology”

17 julho 2015
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Um teste biológico poderá identificar crianças com problemas de literacia ou dificuldades de aprendizagem muito antes de estas aprenderem a ler, revela um estudo publicado na revista “PLOS Biology”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Northwestern, nos EUA, centrou-se na capacidade de as crianças decifrarem a fala, nomeadamente as consoantes, num ambiente caótico e barulhento. Os investigadores constataram que as crianças que processam ineficazmente o discurso num ambiente barulhento são mais propensas a ter problemas de leitura e de desenvolvimento da linguagem ao atingirem a idade escolar.
 

De acordo com uma das autoras do estudo, Nina Kraus, a fala e a comunicação ocorrem frequentemente em ambientes ruidosos. O barulho afeta a capacidade de o cérebro ouvir as consoantes, contrariamente às vogais, uma vez que as consoantes são ditas rapidamente e as vogais são acusticamente mais simples.
 

No estudo, os investigadores utilizaram a eletroencefalografia, um exame que permitiu avaliar como o cérebro de as crianças reagiam ao som das consoantes. Na orelha direita, os participantes ouviram o som “da” sobreposto em relação ao murmúrio de seis oradores. Na orelha esquerda, ouviram a banda sonora de um filme à sua escolha.
 

Os investigadores registaram três aspetos diferentes da resposta cerebral ao som: a estabilidade com que os circuitos estavam a responder; a velocidade com que os circuitos ficavam ativados; e a qualidade com que os circuitos representavam o timbre do som. Com base nesta informação foi desenvolvido um modelo estatístico para prever o desempenho das crianças em testes chave de literacia precoce.
 

Após terem realizado várias experiencias em 112 crianças com idades compreendidas entre os três e os 14 anos, os investigadores constataram que a avaliação neurofisiológica de 30 minutos conseguiu prever, com um elevado grau de precisão, o desempenho de uma criança de três anos num teste pré-leitura. Esta avaliação conseguiu ainda prever o desempenho da criança um ano mais tarde, aos quatro anos, relativamente a várias competências linguísticas importantes para a leitura.
 

O modelo também conseguiu prever com precisão a perspicácia de leitura das crianças em idade escolar, para além de se estas tinham sido diagnosticadas com um problema de aprendizagem. “A importância da nossa abordagem biológica é que conseguimos ver como o cérebro dá sentido ao som e o seu impacto na literacia, em qualquer criança”, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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