Teste prevê risco de cancro da mama não hereditário

Estudo publicado na revista “Genome Medicine”

01 julho 2014
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Investigadores do Reino Unido estão a desenvolver um teste sanguíneo que poderá ajudar a prever o risco de uma mulher desenvolver cancro da mama, dá conta um estudo publicado na revista “Genome Medicine”.
 

Neste estudo, os investigadores da University College London, no Reino Unido, começaram por identificar o padrão epigenético no sangue das mulheres suscetíveis ao desenvolvimento de cancro da mama e que apresentavam uma mutação herdada no gene BRCA1. O mesmo padrão genético foi descoberto no sangue das mulheres sem mutação neste gene, mas que tinham desenvolvido cancro. Na opinião dos investigadores, este tipo de padrão pode funcionar como um potencial marcador precoce para a população em geral.
 

Acredita-se que as mutações no gene BRCA1 são responsáveis por pelo menos 10% dos cancros da mama. Contudo, a causa de 90% dos cancros em pacientes sem esta mutação ainda permanece por esclarecer. Na verdade, a comunidade científica está a começar a perceber que as mutações genéticas não são as únicas a contribuir para o desenvolvimento da doença. Os investigadores começam agora a investigar como o rearranjo e expressão dos genes, a epigenética, afetam a suas funções. Um dos mecanismos envolvidos na epigenética é um processo denominado por metilação do ADN.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Martin Widschwendter, analisaram amostras de sangue recolhidas várias anos antes de as mulheres terem desenvolvido cancro da mama. Posteriormente, foi analisado o padrão de metilação de ADN de amostras de sangue de mulheres com e sem mutações no gene BRCA1. Os investigadores verificaram que as mulheres que tinham desenvolvido cancro da mama hereditário e não hereditário apresentavam o mesmo padrão de metilação do ADN.
 

“Identificámos um padrão epigenético nas mulheres com o gene BRCA1 mutado que estava associado a um aumento do risco de cancro e baixas taxas de sobrevivência. Surpreendentemente este mesmo padrão foi encontrado nas mulheres sem esta mutação e foi capaz de prever o risco de cancro vários anos antes do disgnóstico de cancro”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Os investigadores acreditam que o padrão epigenético poderá ser responsável pelo silenciamento de genes nas células do sistema imune. Se estes genes forem silenciados o sistema imunitário tem menos capacidade de impedir o desenvolvimento de cancro.
 

“Estes dados são encorajadores uma vez que mostram o potencial de um teste sanguíneo para a identificação do risco de cancro da mama nas mulheres sem predisposição genética”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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