Teste pré-natal não invasivo deteta cancro materno precoce

Estudo publicado no “JAMA Oncology”

11 junho 2015
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O teste pré-natal não invasivo para doenças fetais cromossómicas, como a síndrome de Down, pode ser utilizado também para detetar o cancro materno em estadio precoce, antes de os sintomas aparecerem, dá conta um estudo publicado no “JAMA Oncology”.
 

Os investigadores do Centro de Genética Humana, na Bélgica, decidiram aumentar a eficácia do teste pré-natal não invasivo de forma a ultrapassar alguns problemas técnicos que podem causar a ocorrência de resultados falsos negativos ou falsos positivos no rastreio de doenças cromossómicas no feto. A síndrome de Down ou trissomia 21, é a anomalia cromossómica mais frequente que ocorre em cerca de um em 700 bebés. O risco de dar à luz um bebé com esta síndrome aumenta com a idade da mãe especialmente a partir dos 36 anos.
 

“Desta forma sentimos necessidade de melhorara a eficácia do teste. Apesar de ser muito fiável, acreditávamos que podíamos melhorá-lo e ao fazê-lo conseguiríamos também detetar outras anomalias cromossómicas para além da síndrome de Down”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Nathalie Brison.
 

Após terem utilizado o novo método adaptado em mais de 6000 gravidezes e analisado os cromossomas, os investigadores identificaram três anomalias genéticas em três mulheres que não podiam estar associadas a um perfil genómico materno ou fetal. “Verificámos que as anomalias genéticas assemelhavam-se às encontradas no cancro”, referiu a investigadora.
 

A realização de um exame mais detalhado revelou a presença de três tipos de cancro em estadio precoce: um carcinoma do ovário, um linfoma folicular e um linfoma de Hodgkin. Apesar de esta incidência estar dentro da gama esperada, sem a realização deste teste os cancros não seriam detetados até se tornarem sintomáticos, e consequentemente num estadio mais avançado da doença.
 

“Tendo em conta o prognóstico reservado de alguns tipos de cancro quando detetados tardiamente, e sabendo que é possível e seguro tratar a doença durante a gravidez, esta é uma vantagem adicional do teste pré-natal não invasivo”, adiantou um outro autor do estudo, Joris Vermeesch.
 

O investigador explica que durante a gravidez os sintomas associados ao cancro podem estar mascarados. A fadiga, náusea, dor abdominal e perda de sangue vaginal são facilmente interpretados como sintomas da gravidez. Desta forma o teste pré-natal não invasivo oferece uma oportunidade de um rasteiro mais preciso das mulheres em elevado risco de cancro, o que permite ultrapassar o desafio do diagnóstico precoce nas mulheres grávidas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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