Teste para diferenciar infeção viral e bacteriana em desenvolvimento

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

26 agosto 2016
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Uma equipa internacional de investigadores identificou dois genes que estão ativos apenas quando uma criança tem uma infeção bacteriana, revela um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.
 

A equipa liderada pelos investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, refere que estes achados podem ser utilizados para desenvolver um teste que pode detetar com maior rapidez condições como a meningite, sépsis ou pneumonia, que são causadas por infeções bacterianas. Este tipo de teste também pode impedir a prescrição desnecessária de antibióticos, que são apenas eficazes contra as bactérias, a crianças com infeção viral.
 

Atualmente, quando uma criança se encontra com febre, os médicos não têm um método eficaz de distinguir entre um doença bacteriana ou viral. O diagnóstico baseia-se na recolha de uma amostra de sangue ou líquido cefalorraquidiano e verificar se a bactéria cresce. Contudo, este processo pode demorar mais de 48 horas.
 

Michael Levin, o líder do estudo, refere que a febre é dos principais motivos da chegada das crianças às urgências. Frequentemente os médicos dão alta às crianças, porque pensam que estão perante uma infeção viral, quando de facto sofrem de uma infeção bacteriana com risco de vida, a qual é habitualmente diagnosticada demasiado tarde. Por outro lado, existem situações em que os médicos prescrevem antibióticos por precaução, mas na verdade as crianças têm uma infeção viral.
 

De forma a tentar encontrar uma solução para esta temática, os investigadores contaram com a participação de 240 crianças com uma média de 19 meses, que deram entrada nos hospitais do Reino Unido, Espanha, Holanda e EUA.
 

Após as crianças terem sido diagnosticadas, através de métodos tradicionais, com uma infeção viral ou bacteriana os investigadores analisaram os genes que tinham sido ativados nos leucócitos das crianças. Após terem medido alterações em 48 mil genes em simultâneo apenas a partir de uma gota de sangue, os investigadores verificaram que os genes IFI44L e FAM89A previam uma infeção bacteriana com 95 a 100 % de eficácia.
 

Jethro Herberg, um dos coautores do estudo, refere que atualmente existe uma ameaça crescente das bactérias resistentes aos antibióticos. Uma grande proporção da utilização de antibióticos é impulsionada pela incapacidade para identificar com segurança o pequeno número de crianças com infeção bacteriana.
 

O receio que infeções potencialmente fatais, como a meningite e a sépsis, escapem ao diagnóstico faz com que os médicos prescrevam com frequência antibióticos.
“Um teste rápido com base nos dois genes que identificámos poderia transformar a prática pediátrica, e permitir utilizar antibióticos apenas nas crianças que realmente têm uma infeção bacteriana”, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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