Teste mais eficaz confirma violação

Método funciona mesmo sem a presença de sémen

28 fevereiro 2002
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As violações sexuais constituem um verdadeiro mal social. Um pouco por todo o mundo chegam relatos sofridos de quem sentiu na pele violações da sua integridade física, sexual e psicológica.
 

 

Até ao momento, o único método que existe para comprovar uma violação é a análise de sémen ao microscópio. Mas, na verdade, grande parte das vítimas de abuso sexual não fazem queixa nas instituições logo após o acto ter sido cometido devido ao choque emocional. E quando, finalmente, se sentem capazes de apresentar queixa, já «apagaram» os vestígios do crime sexual do seu corpo. Os testes actuais só conseguem analisar as provas de crime até dois dias depois da violação. Mas, mesmo assim, podem falhar em casos de contagem baixa de sémen, se o agressor não tiver ejaculado, se a mulher menstruar ou ter usado espermicida.
 

 

A avaliação microscópica também pode não resultar se a violação tiver envolvido sexo oral ou anal, porque as enzimas salivares e bacterianas podem rapidamente destruir o sémen.
 

 

O uso do preservativo por parte dos agressores também poderá tornar o crime difícil de ser comprovado legalmente, além de, normalmente, neste tipo de agressões não existirem testemunhas oculares.
 

 

Um estudo apresentado ontem na revista New Scientist apresenta um novo método capaz de identificar se uma mulher foi violada dias após o ataque e que pode funcionar mesmo quando não existem vestígios de sémen na vítima.
 

 

O novo método, desenvolvido por cientistas do Hospital Raymond Poincare, em Garches, França, tenta detectar o cromossoma Y existente nos vestígios de células da pele do autor do crime deixadas na vítima.
 

 

Philippe de Mazancourt, biólogo forense, recomenda o uso deste teste quando o exame ao sémen acusar negativo ou quando a vítima apresentar alguns indicadores de que houve violação.
 

 

Quando cientistas franceses usaram o novo método em 79 mulheres que disseram ter sido violadas, encontraram indícios do cromossoma Y em quase 30 por cento das que tiveram resultado negativo no exame ao sémen.
 

 

Mas este método promissor também apresenta limitações. Os testes ao cromossoma Y não podem, por si só, identificar um suspeito individual porque muitos homens compartilham da mesma combinação de genes. Mas no caso de a mulher não reconhecer o agressor, o teste tira as dúvidas. Se os marcadores encontrados não combinarem com os do suspeito, naturalmente, que é inocente, assegura o especialista contactado pela newscientist.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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