Teste genético indica dose certa de anticoagulante

Estudo divulgado no encontro anual do American College of Cardiology

19 março 2010
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Um teste genético permite aos médicos determinarem a dose ideal de anticoagulante para cada paciente, evitando assim hemorragias e coágulos sanguíneos, problemas de saúde comuns durante o período de ajuste ao tratamento e que, com frequência, conduzem a hospitalizações.

 

No estudo clínico, apresentado no encontro anual do American College of Cardiology, dos EUA, participaram 896 pessoas. Pouco depois de terem iniciado a terapêutica com o anticoagulante varfarina, foi-lhes retirada uma amostra de sangue ou foi-lhes feita uma raspagem do interior da boca que foram analisados para a presença dos genes CYP2C9 e VKORC1, que revelam a sensibilidade à varfarina.

 

As pessoas que apresentaram uma alta sensibilidade foram medicadas com uma dose baixa do fármaco e submetidas a exames frequentes. As pessoas que apresentaram uma baixa sensibilidade receberam uma dose mais elevada do medicamento.

 

Durante os primeiros seis meses de medicação com varfarina, os que se submeteram a exames genéticos foram 31% menos propensos a serem hospitalizados por qualquer razão e também tiveram uma probabilidade 29% menor de serem hospitalizados por hemorragias ou tromboembolia do que o grupo de controlo, que não foi submetido a provas genéticas.

 

Segundo o líder da investigação, Robert Epstein, do grupo médico norte-americano Medco, “o exame genético é uma ferramenta à qual os médicos podem recorrer para determinar, desde o início do tratamento, a melhor dosagem de varfarina”, beneficiando os pacientes, uma vez que, com a dose ajustada, correm um menor risco de efeitos indesejados.

 

Em termos económicos, este teste também traz largos benefícios. Segundo o líder da investigação, a redução dos custos hospitalares com estes doentes compensa os gastos com as provas genéticas, que rondam entre os 180 e os 290 euros. "Se reduzirmos apenas duas hospitalizações por cada 100 pacientes que se submetem à prova, isto compensa o custo da genotipificação”, defendeu o cientista.

 

A varfarina é largamente usada para impedir a formação de coágulos sanguíneos quando os pacientes sofrem de fibrilação auricular ou depois da substituição cirúrgica de uma válvula do coração.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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