Teste de detecção rápida para pneumonia atípica

Cientistas isolam vírus e criam exame

30 março 2003
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Investigadores da Universidade de Hong Kong anunciaram a identificação da família do vírus causador da pneumonia atípica, presumivelmente os coronavírus, e o desenvolvimento de um teste rápido de detecção da doença.
 

 

O director de virologia da Universidade de Hong Kong, Malik Peiris, afirmou em conferência de imprensa que, a partir de agora, poderá designar-se esta doença como «pneumonia corona», em vez de Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS, siglas em inglês), nome atribuído à doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
 

 

«Sendo um vírus da família dos coronavírus, tudo indica que não causará uma pandemia generalizada, embora não se possa prever a evolução da doença», sublinhou, em declarações à Agência Lusa, João Pedro Simas, investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC).
 

 

De acordo com o cientista português, «a boa notícia é que a transmissão deste vírus é feita apenas por contacto directo, não se transmitindo facilmente à distância como, por exemplo, o vírus da gripe».
 

 

A diferença é visível, por exemplo, numa viagem de avião: se o vírus da gripe entrar nas condutas de ar condicionado, é provável que todos os passageiros fiquem contaminados.
 

Pelo contrário, no caso dos coronavírus, é necessário que haja um contacto directo, por exemplo através de gotículas emitidas na tosse ou espirros, pelo que só os passageiros mais próximos do doente poderiam ficar infectados.
 

 

Até agora, os vírus da família dos coronavírus (assim designados pelo facto de se localizarem em forma de coroa nas células em que se replicam) eram conhecidos por serem responsáveis por um terço das constipações comuns em todo o mundo.
 

 

Por outro lado, os cientistas da Universidade de Hong Kong entregaram hoje às autoridades sanitárias do território um sistema para detectar a doença em menos de oito horas.
 

 

Um dos principais problemas que se colocava até agora às autoridades sanitárias dos países afectados para controlar a epidemia era a ausência de um teste rápido que lhes permitisse distinguir a SARS de uma pneumonia comum.
 

 

Desta forma, um médico que se depare com um doente com sintomas respiratórios agudos severos poderá colher uma amostra de sangue e saber rapidamente se se trata ou não de um caso de pneumonia atípica, uma evolução muito importante em termos do controlo da doença.
 

 

Em Hong Kong, Peiris assinalou que o agente identificado poderá ser um novo vírus da família dos coronavírus ou um vírus já existente que sofreu uma mutação. De acordo com o investigador de Hong Kong, esta estirpe dos coronavírus pode ter tido origem em animais, sofrendo depois uma mutação e infectando seres humanos.
 

 

Peiris precisou que o vírus pode sobreviver fora do corpo humano por mais de uma hora e é morto pelo álcool.
 

O cientista sublinhou que esta informação vai tornar mais fácil a procura de uma cura para a doença.
 

 

Fonte: Lusa
 

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