Teste à urina pode diagnosticar cancro?

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

27 fevereiro 2014
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Investigadores do MIT desenvolveram um teste em tiras de papel, rápido e barato, que pode aumentar a taxa de diagnóstico do cancro e ajudar no seu tratamento precoce, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Este método de diagnóstico funciona como um teste de gravidez, podendo revelar em minutos se um indivíduo tem cancro, necessitando apenas de uma amostra de urina. Esta nova tecnologia é baseada em nanopartículas que interagem com as proteínas tumorais, denominadas por proteases, que podem despoletar a produção de centenas de biomarcadores, facilmente detetáveis na urina do paciente.
 

Em 2012, os investigadores liderados por Sangeeta N. Bhatia, tinham introduzido o conceito da tecnologia baseada nos biomarcadores sintéticos para amplificar sinais das proteínas tumorais. Estas proteínas, denominadas por metaloproteínases de matriz (MMP, sigla em inglês), ajudam as células cancerígenas a escapar dos locais iniciais.
 

As nanopartículas agora desenvolvidas estão cobertas por pequenos fragmentos proteicos (peptídeos) que são alvo de diferentes MMP´s. Estas partículas concentram-se nos locais do tumor, onde as MMP´s clivam centenas de peptídeos, que se acumulam nos rins e são excretados na urina.
 

Inicialmente estes peptídeos eram detetados através de uma técnica denominada por espetrofotometria de massa. Contudo, como este instrumento não está muitas vezes disponível nos países em desenvolvimento, os investigadores adaptaram as partículas para que estas pudessem ser analisadas em papel.
 

Os investigadores começaram por cobrir o papel de nitrocelulose com anticorpos capazes de capturar os peptídeos. Após terem sido capturados, eles fluem ao longo da tira de papel, sendo expostos a várias linhas invisíveis constituídas por outros anticorpos específicos. Quando uma destas linhas se torna visível significa que o peptídeo em causa está presente na amostra. Esta tecnologia pode ser facilmente modificada para detetar vários tipos de peptídeos libertados por diferentes tipos ou estádios da doença. O teste foi já experimentado com sucesso em ratinhos.
 

Sangeeta N. Bhatia refere que esta tecnologia deverá ser preferencialmente aplicada nas populações de risco e nos países em desenvolvimento. Contudo, este método pode também ser aplicado noutros países onde há métodos de diagnóstico mais avançados, como uma alternativa simples e de baixo custo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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