Terapias com brinquedos ajudam bebés com problemas motores

Declarações de uma especialista

01 fevereiro 2016
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Terapeutas portugueses e espanhóis estão a receber formação, na Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), numa técnica dirigida a bebés com problemas neuromotores, em que os brinquedos ajudam a melhorar a coordenação e movimentos.
 
De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, o curso, que terminou na semana passada, juntou 24 fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais na APCC que recebem formação na terapia Bobath, dirigida a bebés dos 0 aos 18 meses e dada pela especialista norte-americana Gay Girolami, contando com a participação de 20 crianças e familiares.
 
Segundo Gay Girolami, a terapia consiste em utilizar "as próprias mãos e equipamentos, como por exemplo brinquedos," para fazer com que a criança aprenda a sensação do movimento que tem dificuldade em fazer, num momento em que é mais fácil "mudá-las de um caminho que não é tão bom para um caminho que as leva para a forma como se deveriam desenvolver".
 
A especialista refere que a intervenção precoce é "fundamental", aproveitando-se "a plasticidade do cérebro" e a altura da vida em que o ser humano apresenta a maior "taxa de crescimento" e aprendizagem para "conseguir as maiores mudanças".
 
No ginásio da APCC, Gay Girolami, sentada de frente para um bebé de oito meses, mostrava aos formandos como utilizava um brinquedo para fazer com que a criança se movimentasse de determinada maneira, para perceber as dificuldades que enfrentava, bem como os movimentos que poderiam ter de ser corrigidos.
 
Este "é um processo de aprendizagem", que pode demorar meses ou anos, em que se procura que o bebé melhore a sua coordenação motora, disse à agência Lusa Gay Girolami.
 
"A capacidade do terapeuta está em olhar para a criança, ver como se mexe e perceber que controlo motor não está presente e como deve praticar esse controlo motor, usando o ambiente que a rodeia e as suas mãos" para guiar e estruturar o movimento que se quer, explanar.
 
Se o bebé "tem medo de se mover, vai ficar cada vez mais tenso" e os músculos "não aprendem que podem fechar e que podem abrir".
 
Segundo a especialista, com esta terapia em que a família tem de estar envolvida, "os pais veem que os bebés têm a capacidade de melhorar e de mudar e isso dá-lhes mais esperança e motivação".
 
Para a coordenadora do departamento de fisioterapia da APCC, Cristina Soutinho, o brinquedo que é usado é "muito importante" para o sucesso desta técnica já usada na instituição. Como o brinquedo é a motivação "é muito importante que a criança inicie o movimento que se pretende e não fique apenas sentada" e para isso "o brinquedo ajuda e contribui", tendo de ser escolhido "de forma criteriosa".
 
A partir da aplicação desta terapia desde muito cedo, é possível obter "mais movimentos e mais participação" das crianças, ajudando para que estas sejam "pessoas mais participativas e mais autónomas", vinca.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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