Terapia impede o desenvolvimento do cancro da mama

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

08 janeiro 2014
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Uma equipa internacional de investigadores conseguiu silenciar a atividade de um gene em células do tecido mamário de ratinhos e impedir o desenvolvimento do cancro da mama, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.

 

“Esta descoberta poderá no futuro ajudar a tratar os pacientes que têm uma propensão genética para o cancro, podendo de facto alterar as suas vidas e a diminuir a carga de ansiedade”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Don Ingber.

 

Há cada vez mais mulheres a serem submetidas a mamografias, ressonâncias magnéticas e testes genéticos que detetam tecido mamário pré-cancerígeno. Este diagnóstico precoce pode salvar vidas, contudo poucas são as lesões que se transformam de facto em tumores. No entanto, como os médicos ainda não têm forma de prever este tipo de transformações, muitas mulheres são desnecessariamente submetidas à cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Adicionalmente muitas pacientes com elevado risco hereditário de cancro da mama optam por ser submetidas a mastectomias preventivas.

 

Atualmente a única forma de impedir a progressão das células cancerígenas é através de tratamentos que causam a sua morte, mas que também atingem frequentemente os tecidos saudáveis. Desta forma seria benéfico encontrar uma terapia que conseguisse tratar, em vez de matar, o tecido cancerígeno.

 

Neste estudo, a equipa liderada pelos investigadores da Universidade de Harvard, nos EUA, decidiram identificar novos genes responsáveis pelo desenvolvimento do cancro da mama e desenvolver terapias genéticas capazes de os bloquear. Através da utilização de um algoritmo matemático, os investigadores começaram por obter uma lista de cerca de 100 genes que atuam de forma suspeita, pouco antes de as células do ductos mamários começaram a proliferar em demasia. Esta lista foi posteriormente refinada para seis e por fim para um único gene, o HoxA1.

 

Posteriormente, os investigadores trataram células cancerígenas do epitélio dos ductos mamários de ratinho com um pequeno pedaço de ARN, denominado por ARN de interferência, que apenas bloqueava o gene HoxA1. Foi verificado que o processo maligno foi travado, tendo sido impedido o crescimento descontrolado das células.

 

Os investigadores ficaram muito entusiasmados com estes resultados e estão com esperança de que esta abordagem possa ajudar a descobrir novos alvos terapêuticos para muitos cancros de difícil tratamento.

 

“A combinação de abordagens computacionais, de engenharia e biológicas conduziu a uma nova forma de identificar fármacos que impedem o desenvolvimento e progressão do cancro”, conclui Don Ingber.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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