Terapia genética pode bloquear VIH

Estudo publicado na revista “New England Journal of Medicine”

10 março 2014
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Investigadores americanos manipularam geneticamente células imunes de indivíduos com VIH tendo conseguindo torná-las resistente à infeção, dá conta um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.
 

De acordo com um dos autores do estudo, Carl H. June, estes achados reforçam a crença que a manipulação dos linfócitos T é a chave para eliminar a necessidade de tomar antirretrovirais ao longo de toda a vida.
 

Neste estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Pensilvânia, nos EUA, os investigadores utilizaram uma técnica denominada por ZFN (do inglês, zinc-finger nuclease) para alterar o gene CCR5 nos linfócitos T tornando-o parecido com uma mutação que ocorre em 1% da população. Os indivíduos com esta mutação, conhecida por CCR5-delta-32, são naturalmente resistentes ao VIH, uma vez que esta bloqueia a forma como o vírus entra nas células imunitárias.  
 

Após terem modificado os linfócitos T, os investigadores administraram aos pacientes uma infusão de cerca de 10 bilhões destas células. Quatro semanas após a infusão, a terapia antirretroviral foi interrompida em seis dos pacientes, até 12 semanas, enquanto os restantes seis pacientes continuaram em tratamento.
 

Este estudo de fase I apurou que as infusões mostraram ser seguras e toleráveis, tendo os linfócitos T modificados continuado a persistir nos pacientes, ao longo do período de acompanhamento. De acordo com os investigadores, esta nova abordagem tem a capacidade de suprimir a infeção pelo VIH. De facto foi observado que a carga viral diminui em quatro dos pacientes cujo tratamento tinha sido interrompido por quatro semanas.
 

Adicionalmente, num dos pacientes, não foi mesmo possível detetar a presença do vírus. Foi posteriormente descoberto que este paciente já tinha uma cópia da mutação no gene CCR5  
 

Os investigadores referem que o próximo passo envolve o teste desta terapia num maior número de pacientes, utilizando uma maior quantidade de linfócitos T modificados, bem como encontrar formas de aumentar a persistência destas células no organismo e conseguir obter, tanto quanto possível, uma cura funcional.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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