Terapia genética para doentes coronários

Nova técnica poderá estar para breve

27 março 2001
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Num congresso de cardiologia em Orlando, EUA, foram apresentados os primeiros resultados de um estudo em que se procurou aumentar a angiogénese (formação de novos vasos sanguíneos) em humanos utilizando para tal um adenovírus geneticamente modificado.
 

 

Os resultados comprovam que este tipo de terapia genética é segura, bem tolerada e provavelmente eficaz.
 

 

AGENT (GENeTherapy Trial in Patients with Stable Angina pectoris) é o primeiro estudo em que um vírus manipulado geneticamente foi colocado directamente nas artérias coronárias de pacientes com isquémia cardíaca. Este vírus transportava o código genético para a produção do factor de crescimento dos fibroblastos 4 (FGF-4) que supostamente estimula a angiogénese.
 

 

Não se trata, ainda, de um estudo terapêutico para avaliar a eficácia do tratamento em doentes coronários, pois o seu objectivo principal é comprovar a sua segurança e qual a dose padrão a utilizar. Mas os efeitos revascularizantes também foram avaliados.
 

 

Sob a tutela do Professor Cindy Grines foram escolhidos 79 pacientes com o diagnóstico de angina estável, e com um mínimo de 70% de estenose da coronária afectada. Os indivíduos tinham idades compreendidas entre 30 e 75 anos. 60 pacientes foram tratados com o vírus modificado enquanto 19 foram intervencionados sem o uso de um principio terapêutico activo (grupo controlo).
 

 

Os 60 indivíduos submetidos a esta terapêutica inovadora foram divididos em 5 subgrupos recebendo dosagens diferenciadas (desde 320 milhões a 32 mil milhões de unidades). Após um mínimo de 3 meses de observações, durante os quais foram realizados vários testes de segurança para averiguar a presença de vírus nos líquidos corporais (no sémen por exemplo), os pacientes foram submetidos a 2 provas de esforço que permitiram concluir este estudo.
 

 

Não se verificou a existência de efeitos secundários durante, nem após a infusão do vírus.
 

 

Comprovou-se o seu efeito revascularizante nos pacientes que receberam o FGF-4, verificando-se um aumento da resistência à prova de esforço em 30%. A terapia genética para doentes coronários (e não só) poderá estar para breve.
 

 

Estão assim lançadas as bases para se iniciar um alargado estudo terapêutico nesta área.
 

 

 

Fonte: Ärzte Zeitung
 

 

Adaptado por:
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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