Terapia antiandrogénica aumenta risco de doença de Alzheimer

Estudo publicado no “Journal of Clinical Oncology”

11 dezembro 2015
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A terapia antiandrogénica utilizada no tratamento do cancro da próstata aumenta risco de os pacientes serem diagnosticados com doença de Alzheimer nos anos seguintes, atesta um estudo publicado no “Journal of Clinical Oncology”.
 
Os androgénios, hormonas masculinas, desempenham habitualmente um papel importante no crescimento das células da próstata. Deste modo, as terapias que suprimem a produção destas hormonas são habitualmente utilizadas no tratamento dos tumores da próstata.  
 
Contudo, a redução drástica da atividade dos androgénios pode ter efeitos adversos. Alguns estudos têm demonstrado associações entre níveis baixos de androgénios e impotência, obesidade, diabetes, níveis de pressão arterial elevados, doença cardíaca e depressão.
 
Investigações recentes também associaram níveis baixos de testosterona a problemas cognitivos. Adicionalmente os homens com doença de Alzheimer tendem a ter níveis baixos de testosterona, comparativamente com aqueles que com a mesma idade não sofrem desta doença. 
 
Para o estudo os investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, analisaram o registo médico de cerca de cinco milhões de pacientes, dos quais 16.888 foram diagnosticados com cancro da próstata. Dos pacientes com cancro da próstata, cerca de 2.400 tinha sido submetido à terapia antiandrogénica. 
 
Os investigadores constataram que comparativamente com os homens que não tinham sido submetidos à terapia antiandrogénica, os que tinham apresentavam um risco 88% maior de desenvolver a doença de Alzheimer nos anos seguintes ao início da terapia.
 
O estudo também apurou que o efeito era dependente da dose. Quanto maior era a duração do tratamento, maior era o risco de os homens desenvolverem doença de Alzheimer. Os pacientes submetidos à terapia durante longos períodos de tempo tinham um risco duas vezes maior de doença de Alzheimer, comparativamente com o grupo de controlo.
 
“Com base nos resultados do nosso estudo, o aumento do risco da doença de Alzheimer é um efeito potencial da terapia antiandrogénica, mas são necessários mais estudos antes de alterar a prática médica para o tratamento do cancro da próstata", referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Nigam Shah.
 
Ainda não se sabe ao certo como é que níveis baixos de testosterona conduzem a um aumento do risco de Alzheimer. Contudo, existem algumas evidências de que a testosterona tem um efeito protetor nas células do cérebro, deste modo a redução da testosterona faz com que o cérebro seja menos capaz de resistir aos processos que conduzem à demência de Alzheimer.
 
Estudos realizados em ratinhos e em seres humanos também sugeriram que níveis baixos de testosterona podem conduzir a uma maior produção da proteína beta amiloide, que está associada à doença de Alzheimer. Adicionalmente, níveis baixos de testosterona podem aumentar o risco de Alzheimer indiretamente, através da promoção de condições como diabetes e aterosclerose que são conhecidas por estarem associadas à doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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