Ter muitos filhos pode aumentar o risco de AVC

Estudo publicado na revista “Stroke”

01 julho 2010
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As mulheres que deram à luz várias crianças acumulam mais rapidamente placas nas artérias carótidas do pescoço, o que as deixa mais propensas a sofrer um AVC (acidente vascular cerebral), adverte um estudo publicado na revista “Stroke”.

 

Vários estudos têm sugerido uma relação entre um maior número de filhos e o risco de doenças cardiovasculares na mulher. Essa relação poderia ser parcialmente explicada por factores como ganho de peso e diferentes estilos de vida decorrentes da própria gravidez e das mudanças nos hábitos diários que um bebé obriga a fazer (menos exercício físico, por exemplo), mas um novo estudo do Diabetes Baker Heart Institute, em Melbourne, na Austrália, traz novos dados que ajudam a explicar o risco aumentado de doenças cardiovasculares em quem tem muitos filhos.

 

No estudo, liderado por Michael R. Skilton, a equipa usou dados de um projecto em curso que começou a acompanhar um grupo de crianças e adolescentes finlandeses de ambos os sexos na década de 80 e que tem como objectivo identificar factores de risco da doença cardiovascular no início da vida. A equipa australiana centrou-se na análise das ecografias das artérias carótidas de 1.800 homens e mulheres feitas em 2001 e 2007, quando as idades dos participantes estavam compreendidas entre os 20 e os 40 anos.

 

Foi constatado um aumento da espessura média da artéria carótida - um indicador de acumulação de placas nas artérias, que podem, a longo prazo, conduzir a um AVC - tanto nos homens quanto nas mulheres: por ano, cerca de 7 micrómetros nas mulheres e 9 nos homens. Entretanto, os resultados indicaram que esse espessamento era mais rápido nas mulheres que tinham mais filhos: cerca de 7,5 micrómetros por cada filho.

 

De facto, adiantam os cientistas, muitas mudanças biológicas que acompanham a gravidez podem estar envolvidas no espessamento das artérias, nomeadamente a subida dos níveis de colesterol, uma maior resistência à hormona insulina e as alterações dos níveis de estrogénio e de testosterona (que criam um estado de inflamação no corpo).

 

No entanto, essas alterações não explicam completamente a relação, referem os cientistas, alertando para a necessidade de se realizarem mais estudos de modo a que seja identificado o mecanismo através do qual a gravidez pode influenciar a saúde dos vasos sanguíneos para que possam ser desenvolvidas estratégias de prevenção.

 

Por enquanto, os cientistas advertem as mulheres para que mantenham um estilo de vida saudável, com uma dieta equilibrada, exercício físico regular, sem fumar e controlando os factores de risco para as doenças cardiovasculares, incluindo a tensão arterial, níveis de colesterol, peso e valores da glicose no sangue.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A

 

 

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