Ter filhos e amamentá-los diminui risco de cancro da mama

Estudo determina relação

18 julho 2002
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Uma nova investigação demonstrou que o número de filhos que as mulheres têm e o período de tempo em que os alimentam ao peito são os factores que mais influenciam a possibilidade de desenvolverem cancro da mama.
 

 

O estudo, publicado na edição desta semana da revista médica The Lancet, conclui que se as mulheres do mundo industrializado amamentassem cada um dos seus filhos por mais seis meses do que actualmente, poderiam reduzir as hipóteses de contraírem cancro da mama em 5 por cento, mesmo tendo uma história familiar da doença.
 

 

Os investigadores afirmam que esta descoberta fornece a melhor explicação para o aumento das taxas de cancro da mama nos últimos cem anos.
 

 

O estudo consistiu numa nova análise de cerca de 80 por cento de toda a informação já recolhida sobre cancro da mama e amamentação.
 

 

Envolveu a colaboração de 200 investigadores de todo o mundo, que examinaram 47 estudos envolvendo um total de 150 mil mulheres em todo o mundo.
 

 

A análise da informação foi coordenada por epidemiologistas da Universidade de Oxford (Inglaterra).
 

 

A ideia de que o facto de ter filhos está relacionado com o cancro da mama remonta a 1743, quando um cientista italiano concluiu que as altas taxas de cancro da mama das freiras se deviam precisamente ao facto de não serem mães.
 

 

Em 1970, um estudo de grandes dimensões concluiu que a idade em que as mulheres tinham o primeiro filho era determinante, embora nem o número de filhos nem o facto de serem ou não alimentados ao peito fossem considerados nesta pesquisa.
 

 

O grupo da Universidade de Oxford começou por analisar 20.000 mulheres que tinham apenas um filho e nunca tinham amamentado, comparando-as depois com mulheres que também nunca tinham alimentado ao peito mas que continuaram a ter filhos.
 

 

"Os riscos diminuíam cerca de 7 por cento por cada filho que tinham, mesmo sem nunca os amamentarem", sublinhou a líder do estudo, Valerie Beral, chefe da unidade de epidemiologia de Oxford.
 

 

 

Menos riscos
 

 

Os investigadores concluíram ainda que, independentemente do número de filhos, o risco de cancro da mama caía 4,3 por cento por cada ano em que as mulheres amamentavam.
 

 

A magnitude da protecção foi a mesma para todas as mulheres, independentemente de outras características, como a origem étnica, hábitos de bebida ou idade da menopausa.
 

 

Nos países desenvolvidos, as mulheres têm em média dois ou três filhos e amamentam cada um deles entre dois a três meses.
 

 

Há um século, o normal era terem entre 6 a 7 filhos, amamentando cada um deles durante dois anos, uma situação que se mantém ainda hoje nos países menos desenvolvidos.
 

 

Hoje, as mulheres dos países desenvolvidos têm 6,3 por cento de hipóteses de contraírem cancro da mama quando chegam aos 70 anos, contra 2,7 por cento das suas congéneres dos países pobres.
 

 

Assim, o estudo conclui que alterar estes dois factores (número de filhos e tempo de amamentação) reduziria para menos de metade o risco de cancro da mama nos países desenvolvidos.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

 

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