Teoria da evolução posta em causa

Investigadores detectam anomalia na teoria

03 janeiro 2003
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Quando as espécies competem, os indivíduos que mais depressa se adaptam são os «vencedores». E quando a relação é de cooperação, aqueles que evoluem mais lentamente poderão ter vantagens.
 

 

As são as conclusões de um estudo publicado na Proceedings, a revista da Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos, as quais indiciam a existência de uma anomalia na teoria geral da evolução.
 

 

Há 143 anos, o naturalista britânico Charles Darwin colocou em marcha uma revolução científica com a publicação da sua obra «Sobre a origem das espécies por meio da selecção natural». Nesta obra, o naturalista sublinhou o papel da adaptação dos indivíduos à mudança de circunstâncias como a chave para a sobrevivência.
 

 

No novo estudo, o professor de zoologia Carl Bergstrom, da Universidade de Washington, e Michael Lachmann, investigador do Instituto de Matemáticas e Ciências do Instituto Max Planck (Alemanha) encontrou indícios de que a cooperação entre espécies diferentes confere vantagens aos indivíduos lentos em adaptar-se.
 

 

Rei versus rainha
 

 

Bergstrom e Lachmann deram à sua hipótese o nome de «efeito do Rei Vermelho», já que em parte se apoia num modelo matemático construído sobre a teoria da evolução, na qual colocaram um Rei Vermelho e uma Rainha Vermelha (espécies que cooperam) em lados opostos de um tabuleiro de xadrez.
 

 

No modelo matemático, o Rei Vermelho é paciente e move-se lentamente e a Rainha Vermelha é impaciente e move-se rapidamente, negociando ambos as posições em que se encontram.
 

 

Ambos querem viajar o mais rapidamente possível mas o rei encontra-se em desvantagem, já que é lento e move-se apenas uma casa de cada vez. A rainha pode mover-se quantas casas quiser mas cede e avança ao lado do seu «marido» no tabuleiro.
 

 

A conclusão deste jogo matemático é que durante uma negociação entre partes que cooperam, na qual uma delas tem uma escassa margem de manobra, a outra é forçada a ceder mais se as duas quiserem continuar a sua relação. «As espécies que evoluem rapidamente cedem à pressão mais facilmente do que as que evoluem de forma lenta», acrescentou Bergstrom.
 

 

Fonte: Lusa
 

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