Tempo da gravidez nos mamíferos depende da estrutura da placenta

Estudo publicado na revista "American Naturalist"

19 novembro 2010
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A gravidez de nove meses nos seres humanos é influenciada pela estrutura da placenta, de acordo com um estudo sobre a evolução da reprodução em mamíferos conduzido por investigadores da Universidade de Durham, Reino Unido. Os resultados foram publicados na revista "American Naturalist ".

 

O estudo mostra que os bebés crescem duas vezes mais rápido no útero de alguns mamíferos em comparação com outros. A diferença nas taxas de crescimento parece estar relacionada à estrutura da placenta e à forma como se liga mãe e filho.

 

A investigação concluiu que quanto maior é a ligação entre os tecidos da mãe e do feto, maior é a rapidez do crescimento do feto e mais curta é a gravidez. As descobertas ajudam a explicar por que os seres humanos, cujas placentas não têm uma estrutura complexa observada em animais como cães e leopardos, têm gravidezes relativamente mais longas.

 

A estrutura da placenta é muito diferente entre as espécies de mamíferos, mas tem a mesma função básica. Os cientistas assinalam que, apesar das especulações, as razões para essa variação têm sido um mistério até hoje. Neste estudo, os investigadores analisaram dados de 109 espécies de mamíferos e mostraram, pela primeira vez, que a estrutura da placenta influencia a duração da gravidez nos mamíferos. Os cientistas dizem que a placenta dos mamíferos é muito “côncava” e cria uma maior área de superfície, aumentando a velocidade com que os nutrientes passam da mãe para o filho.

 

Para a investigação foram analisados dados como a duração da gravidez, a estrutura e o tamanho da placenta nos mamíferos e de que forma essas características mudaram durante a evolução da espécie. Verificaram que, embora a placenta tenha a mesma função em todos os mamíferos, existem algumas diferenças estruturais notáveis.

 

Em comunicado de imprensa, Isabella Capellini, líder da investigação, explicou que o "estudo mostra que não é necessariamente o contacto com o sangue materno que determina a velocidade de crescimento do feto, mas antes a extensão em que os tecidos da mãe e do bebé estão juntos”.

 

"Nos seres humanos, a placenta tem ramificações simples, semelhantes a dedos, com uma conexão relativamente limitada entre os tecidos da mãe e os do feto, enquanto os leopardos, por exemplo, formam uma complexa teia de interligações que criam uma área de superfície maior para a troca de nutrientes ", aclarou a cientista.

 

Robert Barton, co-autor do estudo, acrescentou que dado não terem sido descobertas diferenças no tamanho dos bebés ao nascer, “parece que o resultado deste conflito é uma espécie de equilíbrio em que um crescimento mais rápido é compensado com uma gestação mais curta”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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