Temperatura mundial de 2002 é 0,5 graus superior à normal

Organização Mundial de Saúde alerta para situação

19 dezembro 2002
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As temperaturas registadas durante 2002 em diferentes zonas do planeta são 0,5 graus centígrados superiores à média das últimas décadas, alertaram peritos da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
 

 

Os dados facultados até finais de Novembro para os 185 países membros da OMM mostram que 2002 está prestes a tornar-se o segundo ano mais quente, depois de 1998, desde que são realizadas estas medições, indicaram os dirigentes da OMM numa conferência de imprensa em Genebra, onde está sediado este organismo das Nações Unidas.
 

 

Os especialistas da OMM precisaram, em comunicado, que "a subida global das temperaturas desde 1900 é superior a 0,6 graus centígrados" e assinalaram que esperam obter em meados de Janeiro dados mais precisos sobre o conjunto das temperaturas em 2002.
 

 

"A temperatura média na superfície do globo não aumentou de forma regular durante o século passado mas constatou-se que, desde 1976, progrediu a um ritmo aproximadamente três vezes mais rápido", acrescenta a nota.
 

 

O director de assuntos climáticos da OMM, Kenneth Davidson, sublinhou que o efeito de estufa produzido pela acção do homem é uma das principais causas do aquecimento da atmosfera juntamente com o aumento da urbanização.
 

 

El Ninõ e Árctico
 

 

Por outro lado, a OMM indicou ainda que as condições atmosféricas de 2002 estiveram influenciadas pelo fenómeno climático El Nino, cujos efeitos começaram a registar-se em Maio passado e prevê-se que continuem até Abril do próximo ano, embora de forma mais moderada do que em 1997-98.
 

 

Finalmente, os meteorologistas indicaram que a capa de gelo do Árctico em Setembro foi inferior a todos os valores registados nessa época do ano desde que se começaram a realizar medições com ajuda de satélites, em 1978.
 

 

Em Portugal
 

 

Segundo um livro lançado em Junho pelo meteorologista Filipe Duarte Santos, em Portugal o impacto das alterações climáticas deverá também ser negativo, com consequências que vão desde o aumento da temperatura à diminuição da precipitação. As conclusões pertencem ao livro "Climate Change in Portugal: Scenarios, Impacts and Adaptation Mesures", que sublinha que até ao final do século os impactos mais negativos das alterações climáticas serão registados na Europa do Sul.
 

 

No caso de Portugal, esses impactos irão traduzir-se numa redução da precipitação (cerca de 100 milímetros até ao final do século), num aumento da temperatura (entre 3 a 4 graus), num acréscimo no risco de incêndios florestais, na agricultura, que ficará mais dependente da irrigação, numa maior pressão sobre os recursos hídricos, já que haverá mais procura e menos oferta, e num aumento do nível médio do mar (aproximadamente 50 centímetros).
 

 

Estas alterações podem traduzir-se num aumento da frequência de fenómenos climáticos extremos, como longos períodos de seca ou inundações.
 

 

Outras consequências negativas para o país serão problemas ligados à qualidade e gestão da água, modificação no regime de temporais e agitação marítima e aumento da erosão costeira.
 

 

As mudanças climáticas terão também impacto na saúde humana, podendo registar-se um aumento da mortalidade associada a ondas de calor, doenças transmitidas pela água e alimentos e outras veiculadas por roedores.
 

 

Fonte: Lusa
 

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