Televisão uma “babysitter eletrónica”?

Estudo publicado no “Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity”

19 julho 2012
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As crianças que despendem muito do seu tempo a ver televisão têm uma menor capacidade física e o seu perímetro abdominal torna-se maior à medida que estas se aproximam da adolescência, sugere um estudo publicado no “Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity”.
 

De acordo com a American Academy of Pediatrics, as crianças menores de dois anos não deveriam ver mais de duas horas de televisão por dia, mas cada vez mais os pais utilizam a televisão como uma “babysitter eletrónica”.
 

Para o estudo os investigadores da University of Montreal, no Canadá, questionaram os pais de 1.314 crianças sobre as horas que estas despendiam semanalmente a ver televisão quando tinham 29 e 53 meses. Os investigadores constataram que, em média, por semana, as crianças despendiam no início do estudo cerca de 8,8 horas por semana a ver televisão, chegando a ver 14,8 horas de televisão quando tinham cerca de quatro anos e meio.
 

Tendo em conta que a força muscular e a gordura abdominal estão associadas com a capacidade física, os investigadores também mediram o perímetro abdominal das crianças e submeteram-nas a um teste de salto em comprimento.
 

O estudo apurou que, aos 29 meses cada hora passada em frente à televisão correspondia a uma diminuição de cerca de 0.361 cm no salto em comprimento, o que sugere uma menor força muscular em comparação com as crianças que viam menos televisão. No que diz respeito ao perímetro abdominal, os investigadores verificaram que aos quatro anos e meio, este aumentou 0.047 cm por cada hora adicional a ver televisão. De acordo com os autores do estudo as crianças que aos quatro anos e meio viam cerca de 28 horas semanais iriam ter, aos 10 anos, um perímetro abdominal 0,76 cm maior.
 

Na opinião dos investigadores, liderados por Linda Pagan, os resultados deste estudo devem ajudar a encorajar as autoridades a desenvolverem políticas que tenham por alvo os fatores ambientais associados à obesidade infantil. "A mensagem que deverá ser transmitida é que ver muita televisão, para além do tempo recomendado, é prejudicial", revelou, em comunicado de imprensa a investigadora.
 

Nos países ocidentais tem-se assistido a um aumento dramático do peso das crianças e adultos. O estilo de vida também se alterou, indo de encontra às refeições previamente confecionadas e calóricas e a uma vida mais sedentária. Estes resultados apoiam as suspeitas clínicas que o tempo despendido a ver televisão, em geral, contribui para o aumento do excesso de peso, fornecendo assim pistas importantes para abordagens eficazes para sua erradicação”, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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